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Cao Hamburger prepara novo infantil para a televisão

Diretor, um dos criadores do 'Castelo Rá-Tim-Bum', deve estrear ainda este ano 'Que Monstro Te Mordeu?'

Flavia Guerra, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2014 | 03h00

Lali é uma garota quase monstro. Tem carinha de menina, orelhas de elfo, mãos e pés de fera. Vivida pela atriz Daphne Bozaski, ela passa por aventuras do Mundo dos Monstros ao lado de amigos como Romeu Umbigo, seu pai Doutor Z e sua melhor amiga: uma meiga poltrona rosa em que a garota se senta quando está meio cansada. Lali é a protagonista de Que Monstro te Mordeu?, a mais nova série que Cao Hamburger e sua equipe preparam para a TV Cultura. 

Neste mundo, não há humanos, mas sim monstros que são absolutamente normais. Ou quase. O ‘homem do tempo’ é Walmor, que, não por acaso, é um guarda-chuva. A moça do telejornal tem um olho só. É essa terra improvável, mas com histórias muito verossímeis, que os pequenos espectadores vão conhecer ainda este ano. 

Produção independente entre a Caos Produções e a Primo Filmes, que repete a parceria com o Sesi e a TV Cultura, Que Monstro é a mais nova aposta da emissora para fisgar o público infantil e manter sua tradição de oferecer programas que unem entretenimento e educação. A série terá 50 episódios de 22 minutos para a TV e 50 outros episódios de até três minutos para a internet. 

Por coincidência feliz, Que Monstro estreia no ano em que se completam duas décadas de Castelo Rá-Tim-Bum, a série super premiada que Cao Hamburger dirigiu para a Cultura e se tornou sinônimo de TV de qualidade para o público infantil. Criado por Flávio de Souza e Hamburger, o programa estrelado pelo garoto Nino teve média de 12 pontos no Ibope, foi premiado no Festival de Nova York e eleito como melhor programa infantil pela Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA), em 1994. 

A julgar pelo cuidado com que a série está sendo produzida, a nova atração tem potencial para ser tão amada pelos pequenos quanto Castelo. “Estamos filmando para uma nova geração. E isso muda muita coisa. Assim como Castelo, é educativo, mas tem entretenimento. E vice-versa. Este equilíbrio era o segredo do Castelo. E queremos manter isso. A trama não tem nada a ver com o Castelo, mas também é instigante”, analisa o diretor-geral.

Para instigar, e encantar, o pequeno espectador, Hamburger e equipe estiveram atentos aos fenômenos tecnológicos desta era. “Quando o Castelo estreou, era a época do lançamento do programa Windows. Era a sensação do momento. E a ideia do programa tinha a ver com isso, com janelas e ambientes que iam se abrindo”, conta Hamburger, que já é referência quando o assunto é programação infantil. “Comecei por acaso a filmar para crianças. Isso porque eu fazia animação e um dos meus curtas, feito com massinha, atraiu o público infantil. A TV Cultura me chamou para trabalhar lá. Urbanoides foi a primeira coisa que fiz lá. E depois me convidaram para o Castelo. E até hoje estou buscando novas formas de contar boas histórias para os pequenos”, relembra o diretor. 

Que Monstro te Mordeu? vem sendo criada na era da internet, da interatividade. A gente pensou o programa com uma característica que tem muito a ver com isso”, completa Teodoro Poppovic, que assina a criação do programa ao lado de Hamburger. 

Esta interatividade é tão crucial que a série foi pensada para que desenhos criados por crianças virassem personagens. “Fizemos algumas oficinas e selecionamos crianças, que criavam livremente e, em outros momentos, desenhavam de acordo com temas propostos por nós”, explica o diretor, que recebeu o prêmio de melhor série de 2013, segundo o International Emmy Kids Awards, por Pedro e Bianca, série dirigida para o público adolescente, também exibida na Cultura.

A propósito da Cultura, Marcos Mendonça, diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta, explica que a emissora não entra somente como exibidora. “Desde os roteiros até a captação da verba, passando pelo pagamento dos profissionais. É um acordo tripartite, entre Sesi, TV Cultura e a TV Cultura”, afirma Mendonça. “É uma tendência. Se pudermos produzir mais produtos assim, será ótimo. Aliamos o padrão de qualidade da emissora, buscamos recursos com terceiros e ainda ajudamos produtores independentes”, continua. 

Mendonça acrescenta que a programação infantil é crucial para a emissora. “Na TV Cultura, temos dez horas diárias de programação infantil. E, na TV Rá-Tim-Bum, 24 horas. Precisamos desta relação com os produtores independentes para preencher nossa grade de programação, tanto na TV aberta quando no cabo. E estamos apostando muito na série”, declara. “Financiado pelo Sesi, este é um produto feito com todo cuidado. Acreditamos que também vai trazer prêmios para o Brasil. Os roteiros são submetidos à equipe de educadores da Cultura, para que tenha sempre esta intenção de divertir e ensinar a criança.”

Para reforçar a preocupação de unir educação e diversão, surge o fato de se tratar de uma série multiplataforma, exibida também na internet. “Hoje em dia, as crianças brincam com o computador, o iPad dos pais. Estes episódios curtos têm uma trama independente, mas complementam o universo do programa da TV. E, no quesito tecnologia, há até mesmo um boneco que só existe digitalmente e vai ser criado na fase de pós-produção (a cargo da O2 Filmes)”, explica Poppovic.

Que Monstro foi idealizada para o público de 4 a 10 anos, mas a previsão é que seduza espectadores de outras idades. “Mas vai se estender tanto aos mais novos, pois é muito lúdica, colorida, quanto aos mais velhos, já que o roteiro foi muito trabalhado pelo Cao, pelo Teo Poppovic e pela equipe de cinco roteiristas, que caprichou nas descobertas de Lali”, conta o produtor Matias Mariani, da Primo Filmes (de O Cheiro do Ralo e Estrada 47). 

Outro trunfo para encantar até mesmo os adultos é unir a tecnologia com a tradição dos bonecos feitos à mão. Após serem idealizados por crianças, os monstros ganharam a concepção visual do estilista Jum Nakao. Para completar, os bonecos foram confeccionados em Nova York. Quem assina a feitura é Paul Andrejco, o mesmo que confecciona os Muppets. “Ele achou muito diferente de tudo. Cada vez que mandávamos um personagem novo, perguntava: ‘Que maluquice é esta?’ O preço foi especial porque ele gostou mesmo”, conta Mariani. 

O valor estimado de Que Monstro é de R$ 12 milhões. “Há um cuidado muito detalhista, desde o roteiro, que tivemos a chance de desenvolver ao longo de três meses. Isso é raro. Conseguimos fazer uma série que tem várias camadas”, diz Philippe Barcinski, supervisor-geral de direção do programa. 

Dos 50 episódios, Barcinski dirigiu 22. Os restantes foram dirigidos por diversos profissionais. O supervisor, a propósito, trabalhou ainda muito jovem em Castelo Rá-Tim-Bum. “Fui assistente do Cao. Nossa equipe é jovem e bem preparada, que cresceu vendo o Castelo e estudou cinema. Isso faz toda diferença. É um ciclo que se completa e que segue”, diz Barcinski.

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