Paramount Pictures
Paramount Pictures

Canções que tornam os filmes ainda melhores

E prepare o lencinho, pois o dia é de chorar com Patrick Swayze e Demi Moore ao som de 'Unchained Melody', em 'Ghost'; veja outras canções que marcaram os filmes

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2019 | 13h13

Cinema é audiovisual, e são esses fragmentos de imagem, de som que fazem de certos filmes experiências muito especiais. Nesta quinta, 8, às 22h, o canal Studio, na TV paga, reprisa Ghost. Espiritrismo 'made in Hollywood'. Patrick Swayze morre – é morto – e tenta proteger a amada Demi Moore, evitando que ela seja morta, também. Para isso, vale-se da intermediação de uma médium trambiqueira, e Whoopi Goldberg ganhou o Oscar de coadjuvante pelo papel – e também o Bafta, o Globo de Ouro e mais um monte de prêmios, porque a sensação é de que o mundo todo queria premiá-la após A Cor Púrpura, de Steven Spielberg, e tratou logo de aproveitar a oportunidade.

Patrick e Demi modelam a argila, e o diretor Jerry Zucker transforma a cena num modelo de erotismo. Os dedos entrelaçam-se no barro, eles se tocam, se esfregam. A cena tem uma voltagem muito alta, mas a música, Unchained Merlody, mantém a coisa num plano romântico, suave. Outra cena e aí seriam Whoopi e Demi, porque Patrick está incorporado na vidente. Para evitar qualquer sugestãso de lesbianismo e manter a coisa estritamente hetero, as duas mulheres podem estar se pegando, mas o espectador vê o casal, homem e mulher, Patrick e Demi, e a moralidade está salva em Hollywood. Ghost foi um grande, memorável sucesso de público em 1990. Mas não seria a mesma coisa sem aquela cena, aquela música. Vamos lembrar outros desses momentos de encantamento audiovisual.

 

Além da Eternidade, de Steven Spielberg, 1989

Richard Dreyfuss, como um piloto florestal, morre e permanece, para continuar na linguagem do espiritismo, como encosto da mulher que amou, Holly Hunter, impedindo-a de começar nova história o piloto que o substituiu, Brad Johnson. Aparece Audrey Hepburn, debilitada pela doença – morreria não muito tempo depois -, para ensiná-lo a desprender-se das coisas terrenas e partir para outra dimensão. Além da eternidade... Na trilha Smoke Gets in Your Eyes. Só não chora quem tem coração de ferro.

 

Laura, de Otto Preminger, 1944

Estávamos falando, até aqui, de filmes de um perfil mais popular, mas agora é hora de lembrar o clássico noir de Preminger. O detetive Dana Andrews procura por Laura, essa mulher que desapareceu e até tem gente que considera que morreu. Ele adormece diante do quadro que a representa. Acorda, e Laura está ali diante dele. Na trilha, David Raksin. A música só ganhou letra depois. No Brasil, Laura foi gravada por Jorge Goulart, Cauby Peixoto e Emilio Santiago. O verso dizia Laura, um sorriso de criança... Mas era uma mulher que provocava amores fatais e, como toda heroína noir, perigosa.

 

O Guarda-Costas, de Mick Jackson, 1992

Kevin Costner é contratado como guarda-costas de uma estrela da música. Whitney Houston e eles sentem-se atraídos, mas o romance intenso nunca evolui, e menos ainda é concretizado. Naquela cena, com fogos de artifício e tudo, ela solta o vozeirão – I Will Always Love You. Os chamados 'bad movies we live'. Filmes que a gente sabe que não são obras de arte, mas gosta, mesmo assim.

 

Os Guarda-Chuvas do Amor, de Jacques Démy, 1964

O filme en-cantado de Démy, com trilhga de Michedl Legrand, ganhou a Palma de Ouro em Cannes. É duro e crítico, mas, na época, teve gente que não entendeu nada e achou o lirismo do diretor mentiroso. Nino Castelnuovo é convocado para a Guerra na Argélia e Catherine Deneuve canta com ele Je Vous Attendrai Toujours. I Will Always Wait for You. Mas ela não espera – um filme belo e triste.

 

Uma Linda Mulher, de Garry Marshall, 1990

O milionário Richard Gere contrata garota de programa para acompanhá-lo. Para Julia Roberts, é um sonho de Cinderela. Conseguirá nossa heroína cativar seu príncipe, a ponto de ele se casar com ela? Ou acordará de seu sonho para a dura realidade das ruas de Rodeo Drive, onde roda a bolsinha? Julia, Pretty Woman, Roy Orbison. Nessa fábula, a fada madrinha é ele. Hector Elizondo, no papel de sua vida, o gerente do hotel.

 

Ritmo Quente, de Emile Ardolino, 1987

Babe, uma rica herdeira, passa férias num resort de luxo, nos Catskills. Envolve-se com o instrutor de dança, mas o pai dela é contra. A histórtia de Cinderela no inverso. A bela princesa, o gato borralheiro. Jennifer Grey, Patrick Swayze, no filme que o consagrou. O que eles dançam? (I've Had) Time of My Life, por Bill Medley e Jennifer Warnes.

 

Tempo para Amar, Tempo para Esquecer, de Richard Brooks, 1969

Durante décadas, Hollywood fez a cabeça de gerações que acreditaram no final feliz dos romances. Os filmes terminavam sempre com o happy ending. Jean Simmons faz uma mulher que acredita nisso, mas seu casamento com John Fosythe termina. Separam-se e, quando ele volta, tentando recomeçar, ela já percebeu que é melhor seguir sozinha. Michel Legrand compôs a belíssima canção final, What Are Doing the Rest of Your Life?

 

Um Lugar Chamado Nothing Hill, de Roger Michell, 1999

O tímido bibliotecário Hugh Grant – na verdade, dono de uma pequena livraria – acolhe em sua casa a estrela Anna Scott, Julia Roberts. Uma espécie de revisão de A Princesa e o Plebeu, o clássico de William Wyler com Audrey Hepburn e Gregory Peck, de 1953, mas com direito a final feliz. E desta vez a linda mulher – Julia Roberts é embalada na tela por She, na versão de Elvis Costello.

 

Armageddon, de Michael Bay, 1998

Pode um disaster movie de ficção científica ser romântico? Nesse caso, sim. Grupo de especialistas é enviado numa missão suicida – terão de pousar num gigantesco meteoro que avança para a Terra e escavar em seu interior para tentar explodi-lo. Bruce Willis, o pai, Ben Affleck, o pretendente a namorado, e Liv Tyler. Qual é a música para essa relação a três? Papai se sacrificará para salvar o amor da filha? I Don't Want to Miss a Thing, pelo Aerosmith.

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
cinematrilha sonora

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.