Camisa vai, camisa vem, ele se garante

Hoje vestido da até os pés, Humberto Martins já teve seus dias de peitoral à mostra

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2009 | 23h26

Bem-humorado, Humberto Martins, faz uma análise quase antropológica do tipo "descamisado" e sua função na teledramaturgia. "Olha, são 12 anos fazendo papéis desse tipo", diz o ator, que hoje em dia entra em cena coberto até os pés - por enquanto - como o engravatado Ramiro, na mesma Caminho das Índias.

    

Saído do teatro, Martins começou na TV como o Otávio de Sexo dos Anjos (1989), um yuppie que jogava tênis nas horas vagas - opa, pernas de fora. Ele conta que na sua ficha na TV Globo há uma série de esportes em que manda bem. Daí a associação com os tipos viris. Pronto, virou galã.

Virou, não. Galã é para o que nasce, ensina. "Nos meus estudos, sempre me baseei em atores como Marlon Brando, Peter O?Toole e Montgomery Cliff. Por isso, quando me chamam de galã acho que é elogio. É algo que você já tem, é seu. Você nasce galã", diz. "Vejo o galã como uma pessoa vistosa, bacana de se ver."

Humberto pondera que uma série de fatores contribuíram para que ele fosse visto sem camisa em cena, tantas vezes. "Depois do Otávio, veio o João, de Barriga de Aluguel (1990). Tinha aquela coisa de mostrar os braços. Mas havia um contexto: era a época da moda fitness", observa.

Três anos mais tarde, Martins causou furor como o cowboy Alaor de Mulheres de Areia, que vivia um romance divertido com a rebelde Malu (Viviane Pasmanter) - casal inesquecível. "Se você pegar um pedacinho de cada personagem, vai ver que todos evidenciavam o corpo, mas que também havia o trabalho de ator. Senão, eu não estaria aqui até hoje", anota. "É claro que o corpo muitas vezes chamou mais atenção. Mas é porque são novelas da TV Globo, de grande alcance, e personagens fortes, sedutores."

 

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Aproveitando a maré e nem um pouco a fim de lutar contra o espelho - pra quê? - Humberto chegou ao Dr. Renato de Beleza Pura, no ano passado, atípico na sua galeria. Foi muito feliz ao compor o médico que, numa confusão da trama, começa a questionar a própria masculinidade. Na época, o ator riu de si e chegou a dizer que estava sendo difícil compor o personagem, porque acha que é homem "há várias encarnações".

Coisa de quem se garante. "A TV está muito carente de bons atores galãs", avalia. "Existe aí uma faixa de atores que não estão preocupadas em estudar, são muito metro (sexuais), preocupados com a aparência. É por isso que têm tanto medo dos rótulos."

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