Caminhos de Glória

Glória Perez volta ao seu universo novelesco para criar a nova trama multicultural da Globo

Etienne Jacintho, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 20h59

. Um amor impossível e um casamento prometido realizado, a princípio, sem amor compõem o enredo inicial da trama de Glória Perez, Caminho das Índias, que estreia nesta segunda, 19, no horário das 9 da Globo. A mocinha é Maya (Juliana Paes) e seu par é Bahuan (Márcio Garcia). O marido prometido é Raj (Rodrigo Lombardi) que, por fim, se apaixonará por Maya. Faz-se aí o triângulo amoroso da vez. Veja também: Loucura é tratada com seriedade e humor  Qualquer semelhança com O Clone (2001) não é coincidência. Caminho das Índias traz de volta elementos clássicos do universo novelesco de Glória Perez e explora personagens e situações que o público adora por serem bem executados. Com a nova novela, pode-se dizer que a autora realiza uma trilogia que começou em 1995, com Explode Coração. As três novelas apresentam, como trama central, um triângulo amoroso e a impossibilidade de um amor por causa de diferenças culturais.   Foto: DivulgaçãoAgora, Maya e Bahuan vivem amores impossíveis e não correspondidos, como Jade e Lucas em O Clone Isso não significa que Caminho das Índias não seja original. Ela simplesmente carrega a marca registrada da autora - assim como Manoel Carlos sempre leva o Leblon e suas Helenas à casa dos espectadores e Walcyr Carrasco usa, em suas melhores tramas, a comédia pastelão e o núcleo rural marcante. Inchallah não! Are baba A equipe do TV & Lazer, órfã de O Clone, identificou alguns personagens correspondentes nas duas novelas e até aposta no bordão da vez, em substituição ao inchallah. Are baba deve estar, em breve, na boca do povo. Maya, Bahuan e Raj são, respectivamente, Jade (Giovanna Antonelli), Lucas (Murilo Benício) e Sayid (Dalton Vigh). Quem já viu as chamadas de Caminho das Índias, reparou em uma garotinha que dá show de dança indiana. Trata-se de Anusha (Karina Ferrari), criança esperta igual a Khadija (Carla Diaz), que queria "ouro, muito ouro"!Mara Manzan será Ashima, um equivalente à dona Jura, que terá uma pastelaria na Lapa - bairro que, aliás, entra no lugar de São Cristóvão, retratado em O Clone. E se Elizângela na pele de Noêmia tirava o sono dos árabes que moravam no Rio, desta vez é Dira Paes, como dona Norma, quem vai mexer com a libido dos indianos da pastelaria de Ashima. Na Lapa também tem gafieira! Não é a Estudantina, mas vai reunir os personagens. Cidinha (Eva Todor) e até o dr. Castanho (Stênio Garcia) vão cair na dança. Na bairro ainda está Suellen, a ex-BBB Juliana Alves, que, por ironia, ou não, viverá uma garota que sonha em entrar no reality show. Em O Clone, quem corria atrás da fama era Karla, papel de Juliana Paes. A Bruno Gagliasso cabe a missão da grande causa social que, em O Clone, foi de Débora Falabella. O ator vive Tarso, um rapaz que sofre de esquizofrenia (clique para ver a matéria). Na novela de 2001, o merchadising social era o vício. Débora vivia Mel, usuária de drogas - quem não se lembra da cena em que ela bebia perfume?Preconceito? Glória Perez, porém, não gosta da comparação. Na apresentação da novela para os jornalistas, no Rio, a autora afirmou que isso é "preconceito". "A única comparação possível entre as duas novelas é que elas falam de culturas diferentes da nossa. Vê só como as pessoas são preconceituosas? O que é diferente vai tudo para o mesmo saco", disse. Paixões impossíveis em culturas diferentes não são novidade na teledramaturgia, na literatura ou no cinema. Por isso, a realização é o que conta. A autora pode usar esse mundo ficcional dela para contar histórias no Marrocos, na Índia, na China, no Japão, no Iraque... Suas novelas conquistam bom ibope, os bordões que cria retumbam nas ruas e seus personagens se tornam alvos de discussões. Glória é pop.

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