Calma, Juvenal Antena vai dar um jeito

Aguinaldo Silva deu o troco em Gilberto Braga. Se o primeiro mês de Duas Caras não foi a maravilha de Ibope que se esperava, o autor surpreendeu, devolvendo a novela às primeiras páginas dos jornais: ele sumiu. Ou melhor, sumiu pra continuar em evidência. Primeiro, bateu boca pelo blog. Depois, disse estar sendo ameaçado. Por fim, no auge do fuzuê, disse que ia sair de férias. Não faltaram especulações - de estresse a desilusão amorosa. E a velha questão do "Quem matou Taís?" ficou infinitamente menor diante da angustiante "Que aconteceu com Aguinaldo?"Estresse? O sujeito que assume o comando da principal atração da TV brasileira sabe que seus próximos meses serão de insanidade e já está preparado pro tranco. Desilusão amorosa? Se todo mundo que levar o fora do namorado se afastar do trabalho, o país pára e o único comércio que vai florescer é o de lenço de papel. A crise chegou naquela fase do nem sai nem fica, com Aguinaldo dizendo que seu passaporte estava vencido e ele só soube disso no aeroporto. A confusão deixaria o xerife Juvenal Antena subindo pelas paredes da Portelinha.Em solidariedade à crise do autor, não vamos falar de novela esta semana. Vamos falar de livros, que tal? Livros sobre novelas, obviamente. Daqueles que podem ser ótima dica de presente de amigo secreto. Nas livrarias, há pelo menos duas boas sugestões. O Almanaque da Telenovela Brasileira, de Nilson Xavier (Panda Books, preço médio de R$ 50), é aquele livro bom para animar conversas sem compromisso. Tem muitas fotos, incontáveis curiosidades e até testes interativos. Já o recém-lançado De Noite Tem... Um Show de Teledramaturgia na TV Pioneira (Giz Editorial, preço médio de R$ 50) é mais específico. Escrito por Mauro Gianfrancesco e Eurico Neiva, o livro conta a história das novelas da TV Tupi. Não é pouca coisa. Em seu auge, nos anos 70, a Tupi firmou a carreira de gente como Tony Ramos, Eva Wilma e Juca de Oliveira. Foi a emissora que inovou a linguagem das novelas no Brasil, com Beto Rockfeller (1968), de Bráulio Pedroso. Quando crise de autor ganha mais espaço que dilema de personagem, é melhor ler um pouco de história e descobrir que nossas novelas já tiveram mais o que contar. e-mail: mvianinha@hotmail.com

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