Café icônico de 'Friends' é recriado em Manhattan

Café icônico de 'Friends' é recriado em Manhattan

Espaço comemora os 20 anos da série

Pedro Henrique França - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2014 | 16h00

NOVA YORK - Em 6 de maio de 2004, Jennifer Aniston, Courtney Cox, Lisa Kudrow, Matt LeBlanc, Matthew Perry e David Schwimmer pararam os Estados Unidos e o mundo ao se despedirem de seus personagens do seriado Friends. E, dez anos depois, Rachel Green, Monica Geller, Phoebe Buffay, Joey Tribbiani, Ross Geller e Chandler Bing continuam no ar, pela Warner, em diversos países, incluindo o Brasil. Os atores ainda são lembrados, reconhecidos nas ruas e fazem parte de um jogo de identificação em rodas de amigos (crescidos, diga-se) que gostam de se comparar ou apontar quem da turma é mais parecido com os seis adultos que viveram, durante dez temporadas, romances, conflitos, clichês e absurdos de uma vida aparentemente comum.

Além dos apartamentos pelo quais transitavam no mesmo prédio - e que segue como ponto turístico em Manhattan -, o café Central Perk é dos cenários mais icônicos do seriado, que até hoje nunca havia existido de verdade. Para comemorar os 20 anos do aniversário do seriado - que serão celebrados amanhã -, a Warner dá chance aos saudosos fãs de estarem no lugar onde tantas cenas emblemáticas aconteceram. Na esquina das ruas Lafayette e Broome, no SoHo, o canal acaba de inaugurar, em parceria com a marca Eight O’Clock Coffee, uma reprodução do café, que funcionará ali apenas até 18 de outubro. E já vem provocando longas filas.

Sentado no sofá laranja, James Michael Taylor relembra ao Estado sua vida como Gunther, o gerente do café. Ele, que tinha graduação em Artes, mas pagava as contas atuando como barista, foi chamado para fazer um bico no seriado. Ficou um ano e meio sem fala - e sem nem saber o nome de seu personagem. Era, no início, apenas um figurante. E, mesmo diante do estrondoso sucesso, continuou acumulando os dois empregos durante quatro temporadas. 

“As pessoas me viam no café trabalhando de verdade e ficavam assustadas. Perguntavam o que eu estava fazendo ali, achavam que eu estava treinando para o Gunther”, conta ele, aos risos, no mesmo sofá onde, ao longo de todo o seriado, se sentou apenas uma vez, quando ganhou um beijo de Phoebe. “Ninguém podia se sentar nele se não fizesse parte da gravação”, diz sobre o tratamento de estrela que o móvel tinha no set. 

Quando um produtor da série tomou conhecimento da graduação de Taylor, o ator-barista, enfim, ganhou nome e uma fala, bem pequena, é verdade. “Quando o produtor disse que eu teria uma fala, eu comemorei. Mas foi apenas um ‘Yeah’”, recorda. Sua participação, no entanto, cresceu. Apaixonado por Rachel, foi Gunther quem dedurou Ross ao contar para ela de seu caso com a garota que trabalhava no xerox enquanto o querido casal dava um de seus vários tempos na relação. Olhando o espaço - que irá oferecer café grátis, tem loja com itens do seriado, como camisetas, DVDs e xícaras, além de figurinos expostos dos personagens e detalhes nem tão pequenos de uma década de história, como bilhetes, o texto do último episódio e o violão de Phoebe -, Taylor diz que Friends acabou no momento certo. “Seria estranho ver eles hoje aos 40 anos, não faria muito sentido.” 

E por que ela permanece fazendo sucesso mesmo em meio a tantos novos seriados, mais dinâmicos e muitas vezes hiper-realistas, como Breaking Bad e Game of Thrones? Taylor diz que o segredo de Friends está justamente no encontro de pessoas normais com as quais todo mundo pode se identificar, independentemente de seu lugar de origem. 

Taylor, que não gostava de se ver na telinha, tem assistido a alguns antigos episódios para relembrar a fase. E voltou a ser reconhecido por conta da cabeleira branca que retomou especialmente para a temporada do café. Se, por acaso, for ao Central Perk e suspeitar que aquele cara é aquele quem você acha que é, não tenha medo de arriscar. Taylor, ou Mr. Gunther, fará algumas visitas ao estabelecimento. E poderá, quem sabe, dividir seu conhecimento sobre café. O brasileiro, diz, ele já provou. “É forte e bom.”

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