Cada um por si no 'Pânico'

Contratos individuais abrem caminho para assédio de emissoras à trupe do humorístico

Alline Dauroiz e Keila Jimezez, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2007 | 23h46

Silvio Santos bem que tentou. Mas quem conseguiu desfalcar a turma do Pânico foi a Record. A partir de fevereiro, Carlos Alberto da Silva, que interpreta o Mendigo e o Merchan Neves, e Vinicius Vieira, que vive Gluglu e Mano Quietinho, passam a integrar o Show do Tom, com promessa de estrelarem um programa só deles na emissora. E olha que não é difícil as emissoras comprarem o passe da trupe - que este ano bateu recorde de faturamento e incomodou a concorrência. O assédio é incentivado pelo fato de os integrantes do Pânico terem contratos individuais com a Rede TV!, com valores e datas de validade diferentes. No caso dos cassetas, por exemplo, além de haver uma divisão igual do bolo, o contrato com a Globo praticamente vincula o grupo todo.Para Vinicius Vieira, o Pânico sofre com isso. "Os contratos individuais fazem cada um pensar 'no seu', na sua carreira. Estão falando que a Record quer o Vesgo e o Silvio. Se isso acontecer... aí complica (para o Pânico)."Os acordos da trupe do Pânico com a Rede TV! venciam em dezembro, e a emissora tratou de renová-los em julho, por mais três anos. Os únicos que ficaram de fora nessa leva foram justamente Silva e Vieira. "Eu e o Carlinhos dissemos não para a renovação da Rede TV!. Estávamos começando a paquera com a Record", diz o intérprete de Gluglu. "Na renovação de contrato abrimos mão dos dois", rebate o vice-presidente da Rede TV!, Marcelo de Carvalho. "Já tínhamos até contratado dois novos humoristas. O Pânico precisa de renovação."Vô, num vô!Foram oito meses de conversas da dupla com a Record. "No começo não queria ir, mas o Vinicius me convenceu", conta Silva, que começou a trabalhar na Rádio Jovem Pan com 14 anos, como office boy. "Nunca quis sair do Pânico. Mas a proposta é muito boa. Não deu para recusar."A dupla ainda não sabe muito bem qual será seu papel na Record, mas detém o direito sobre os personagens e pretende continuar com quadros como o Dia de Tristeza e o Vô/ Num Vô, bordão que virou febre.

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