Ruth Fremson/NYTimes
Ruth Fremson/NYTimes

Cada cena uma sentença

Imagens da vida real, TV paga, classificação e audiência dividem águas

Cristina Padiglione - O Estado de S. Paulo,

06 de agosto de 2011 | 16h00

"A tecnologia evolui rapidamente, enquanto o conteúdo evolui lentamente". A frase, dita ao Estado em agosto passado por ocasião do 60º aniversário da TV, é de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, principal executivo na construção do sucesso da Globo. Na era do HD, do 3D, do download e da TV portátil, repare só, o público ainda alimenta a ladainha de que "toda novela é igual" e "tudo se repete".

 

Em contrapartida, alguns episódios impostos ao noticiário e raros títulos do entretenimento têm a maestria de mexer com a história da TV por si só. São divisores de águas, cenas que afetam para sempre o modo de pensar, fazer e ver TV.

 

A exposição de Latininho num único Domingão do Faustão vale até hoje como referência para se evitar a exploração de anomalias físicas em tom bizarro. No mesmo palco, o sushi erótico em plena tarde de domingo também fez história. Na concorrência, foi Gugu quem atraiu a atenção do Ministério Público, ao apresentar a fraude do PCC (veja abaixo).

 

Cenas como essas estão no DNA das discussões que resultaram na criação de uma portaria do governo para classificar a programação da TV de acordo com idade e horário. Sob protestos das emissoras, que viam aí uma "volta da censura", o governo lançou em 2007 a portaria 1.220, que determina a exposição na tela de selos indicando a classificação etária de cada programa. Amadurecida a decisão, o governo deu às TVs a chance de autoclassificar seus programas, tendo 60 dias para endossar ou contestar o parecer da emissora.

 

Do Telejornal a este TV, a pulverização da audiência se impôs, graças à expansão da internet e da nossa TV paga, que acaba de assumir a liderança na América Latina em número de assinantes. Nesse contexto, a Globo perdeu ibope, mas ainda lidera e supera a soma de todos os canais abertos; o SBT perdeu o 2º lugar para a Record, enquanto a Manchete deu lugar à RedeTV! E ainda há quem diga que a TV é sempre igual. Injustiça.

 

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