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Cabrini está de volta

À frente do Repórter Record, ele fala sobre a prisão de um ano atrás: 'não me arrependo'

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 20h39

Não é que Roberto Cabrini goste de uma confusão - e dizer isso depois que ele foi preso com cocaína, numa favela, há um ano, soa como ironia de mau gosto. Mas o jornalista que anunciou para o Brasil a morte de Ayrton Senna, que descobriu o paradeiro do então procurado PC Farias (tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor) e frequentou o front em conflitos no Afeganistão, Iraque, Paquistão e Haiti diz que sua praia é o tal jornalismo investigativo, o que requer tocar em feridas que jamais lhe rendem flores.

Há meses debruçado sobre o Repórter Record Especial, programa que estreia amanhã, às 22h, tendo o tráfico de mulheres como tema, Cabrini diz que nunca deixou de trabalhar em função da prisão.

Flashback: em abril de 2008, policiais do 100º DP, no Jardim Herculano, zona sul, encontraram 15 papelotes de cocaína em seu carro. Cabrini estava com Nadir Domingos Dias, segundo ele, uma fonte que lhe entregaria DVDs contendo uma entrevista de Marcos Camacho, o Marcola, líder da facção PCC. Já Nadir contou que era amante do jornalista, que a droga pertencia a ele e que os DVDs traziam imagens de Cabrini cheirando cocaína.

Ele se apresenta como vítima de uma grande armação por ter mexido com a "banda podre da polícia". Eis um resumo da nossa conversa:

Em que esse novo programa se diferencia do Repórter Record que a gente conhece?

Nossa proposta é fazer jornalismo investigativo. Não há hoje, na TV, um documentário específico de matérias que investigam.

Mas todo jornalismo não pressupõe investigação?

Em tese, todo jornalismo é investigativo, mas são tantos os exemplos de jornalismo oficial, preguiçoso, que a gente passou a chamar o outro de investigativo. Vamos começar pelo tráfico de mulheres, uma epidemia mundial tão importante quanto tráfico de drogas e armas.

Sobre o episódio de sua prisão, há processo em andamento?

Não. Uma coisa que aprendi é que denunciados não mandam flores, falei da banda podre da polícia e sofri as piores pressões que você pode imaginar. Fui vítima de uma armação. O Ministério Público está fazendo diligências e tenho certeza de que os culpados serão punidos.

Algum arrependimento?

Não me arrependo de nada, nunca parei de trabalhar por isso. De certa forma, tenho orgulho por ter tocado em feridas importantes. Não uso drogas, não tomo nem cerveja, os exames que fiz na época deram todos negativo, e nem é este o caso: não acho que uma pessoa seja melhor ou pior por usar droga.

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