Brincadeira com as leis de incentivo

Em Saneamento Básico - O Filme, Jorge Furtado apresenta um divertido retrato da sociedade

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2008 | 23h45

Jorge Furtado é um cineasta com olhar crítico e um humor fino - seus filmes deixam uma aparente impressão de simplicidade pela forma sem maneirismos com que conta a história, mas, sob uma visão mais apurada, é possível descobrir outras várias camadas. É o caso de Saneamento Básico - O Filme, que a Sony Pictures acaba de lançar. O enredo está centrado na disposição de uma pequena vila de descendentes de colonos italianos na serra gaúcha em construir uma fossa para o tratamento de esgoto há muito tempo prometido. Como não dispõem de recursos, os moradores espertamente participam de um programa cultural, cuja verba destinada à produção de um filme seria devolvida caso não fosse utilizada. Todos integram, assim, de forma amadora, a equipe de criação e filmagem. Dessa forma, não apenas a trama caminha para a metalinguagem (um filme dentro de outro), como Furtado brinca com as dificuldades de se fazer cinema no Brasil, especialmente com as diversas leis de incentivo à cultura do País - é hilariante a forma como os "cineastas" incluem o merchandising na história. Entre os extras, o DVD traz uma divertida animação, O Monstro da Fossa.

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