Daniel Teixeira/Estadão
Marcio Uesuguia, Bruno Carramenha, Debora Bueno e Wesley Carramenha na sala do apartamento onde moram.  Daniel Teixeira/Estadão

Brasileiros querem sabor local em serviços de streaming

Quase um terço dos brasileiros têm interesse em séries e filmes nacionais, o que impulsiona produções como os documentários sobre Adriano e Anderson Silva

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão

26 de junho de 2021 | 23h00

Os brasileiros podem estar loucos para ver o especial de Friends, podem devorar os novos episódios de Lupin, mas também gostam bastante de conteúdo em língua portuguesa. Segundo relatório da Sherlock Communications, 32% dos entrevistados brasileiros querem séries e filmes com sabor local. É uma marca latino-americana: 37% dos colombianos e 36% dos peruanos também querem se ver na tela. 

Não é por acaso, portanto, que as plataformas globais estejam investindo tanto em conteúdo feito na região. Em 27 de maio, o Paramount+ anunciou mais de 20 projetos originais, incluindo uma série do Porta dos Fundos e documentários sobre o jogador de futebol Adriano e o lutador Anderson Silva. “Estamos fazendo uma abordagem ‘glocalizada’”, disse JC Acosta, presidente da ViacomCBS International Studios & Networks America. Um dia antes, a HBO Max tinha anunciado mais de cem produções originais até o fim de 2022. “Queremos contar nossas histórias para o mundo”, disse Luis Durán, gerente-geral para a América Latina. Mas ele também ponderou que o custo baixo de produção na região significava poder produzir mais conteúdo global para a plataforma.

O Star+, que só chega dia 31 de agosto, anunciou 66 projetos feitos na América Latina, incluindo uma série sobre o fim da escravidão no Brasil e a comédia How to Be a Carioca. “Há mais de 20 anos, desenvolvemos e produzimos conteúdos originais da melhor qualidade, pensando nas preferências dos públicos da nossa região”, disse Diego Lerner, presidente da The Walt Disney Company Latin America, no material de imprensa. Somados às produções sendo feitas pelo Disney+, são mais de 130 projetos sendo tocados pela empresa.

Talvez por isso a Globoplay esteja indo tão bem. A companhia não divulga números, mas, em entrevista ao site Deadline, Erick Bretas, diretor de digital, disse que a plataforma tinha 30 milhões de usuários, nos modelos por assinatura e com anúncios. “Talvez haja uma questão cultural, porque falam mais nossa linguagem, conversam mais conosco do que alguém chegando com cultura externa”, disse Ricardo Queiroz, sócio da PWC responsável no Brasil por um estudo sobre o mercado. Ter sotaque local é, assim, uma estratégia não só para conquistar consumidores da região como para ter conteúdos exportáveis e globalizados.

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