Elise Amendola/AP
Elise Amendola/AP

Brasil já está entre os três principais mercados da Netflix

Erik Barmack, executivo da empresa, anunciou que deve lançar 'entre dez e 12 temporadas' de produções nacionais por ano

Entrevista com

Erik Barmack

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

15 Março 2018 | 18h45

RIO - O Brasil já está entre os três principais mercados da Netflix no mundo. De passagem pelo Rio para o lançamento da segunda série original brasileira da empresa, O Mecanismo, de José Padilha e inspirada na operação Lava Jato, o executivo Erik Barmack, vice-presidente de conteúdo original internacional, anunciou que, diante do crescimento consolidado da audiência no País, a gigante norte-americana deve lançar "entre dez e 12 temporadas" de produções nacionais por ano. 

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Em conversa com o Estado nesta quinta-feira, 15, Barmack disse que o interesse pelos meandros e impactos políticos e sociais da Lava Jato não é só brasileiro, e que a série - que estreia dia 23 e tem como protagonista Selton Mello, no papel do policial federal que deu o ponto de partida nas investigações - é promessa de sucesso mundial. 

Ele acredita que O Mecanismo repetirá a trajetória de Narcos, coprodução colombiana estrelada por Wagner Moura e também com Padilha na direção. "A corrupção está no tecido cultural brasileiro, mas também é um tema global", justificou.

Por que aposta que O Mecanismo vai estourar fora do Brasil?

As narrativas na TV se tornaram globais. No passado só tínhamos conteúdos vindos dos Estados Unidos. Nós temos 4% da população do mundo e a maioria do conteúdo. Aí tivemos Narcos, que foi um grande sucesso nos EUA, na França e no mundo todo. Parou de existir a TV americana, virou a TV global. Por exemplo, 3% a gente fez no Brasil para o público brasileiro, mas por ser real, autêntico, falou com adolescentes no mundo todo. Temos os espanhóis La casa de papel e Las Chicas del cable (As telefonistas), o alemão Dark. A gente não vai ver uma mudança tão grande nas produções para TV tão cedo. Estamos em 190 países, em 20 línguas diferentes, e as pessoas querem novas vozes. 

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Qual o apelo das tramas da Lava Jato para quem não é brasileiro?

Queremos as melhores histórias, e essa é uma série para fazer sucesso no mundo todo. Não nos interessava fazer um documentário sobre a Lava Jato, mas uma série que fosse inspirada nela, com personagens interessantes. O do Selton Mello, o policial que tem seus altos e baixos, suas relações familiares; o da Carol Abras, uma mulher forte e engraçada (ela faz a delegada que encabeça por um período a operação); o do Enrique Diaz, que é um vilão de quem a gente acaba gostando (o doleiro Alberto Youssef). Mostrar os dramas pessoais é tão importante para nós quanto falar da questão política. Poder e corrupção são temas brasileiros, mas são universais também. Ninguém precisa saber das particularidades do Brasil para gostar da série. E não há ator melhor no mundo que o Selton.

Qual o tamanho do mercado brasileiro para a Netflix?

Não divulgamos números, mas o Brasil tem crescido muito em assinantes. Está entre nossos três principais mercados. Não chegou a ser uma surpresa para nós, mas o ritmo do crescimento foi bom (o serviço chegou ao País há sete anos). Temos 117 milhões de assinantes no mundo, um pouco menos da metade está nos EUA. Os brasileiros amam especialmente ficção científica e fantasia, e veem as séries que fazem acesso no mundo todo, principalmente Sense 8, La casa de papel, Dark, Stranger things, Orange is the new black e 13 reasons why, e não só 3% (primeira série brasileira produzida pela Netflix, dirigida por César Charlone) e Narcos.

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Qual a perspectiva de crescimento da produção fora dos EUA?

Vamos crescer mais no exterior do que nos EUA, porque há mais espaço para isso fora. Teremos mais produções locais, no Brasil, na Alemanha, na Espanha. No Brasil teremos dez ou doze temporadas por ano no Brasil, como Samantha! (comédia com Emanuelle Araújo), Coisa mais linda (ambientada nos anos 1950, com o pano de fundo da bossa nova), Sintonia (com o diretor Kondzilla). As boas histórias podem vir de qualquer lugar e ter apelo em qualquer lugar.

O governo estuda se a Netflix, depois de sete anos no Brasil, terá de pagar a Condecine imposto que ajuda a financiar nosso cinema. Como veem isso? 

Ainda estamos conversando com o Ministério da Cultura.

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