Paramount Pictures
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Branagh, Clancy e a nova espionagem virtual

Branagh virou faz-tudo, e quase sempre bem; dirigiu também espionagem e, nesta segunda, 16, um bom programa é Operação Sombra – Jack Ryan, que passa no Telecine Action

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 07h00

Paulo Francis implicava com Kenneth Branagh e Emma Thompson, quando eram casados, e dizia que o que faltava aos dois era o batismo da sarjeta. Branagh surgiu como ator, e autor, shakespeariano. Assinou um belo Henrique V e, depois, Muito Barulho por Nada e Hamlet. Admitiu para o repórter que nem Laurence Olivier nem ele se comparavam ao russo Innokenti Smoktunovsky, o melhor intérprete do papel no cinema, no clássico de Grigori Kozinstsev, do começo dos anos 1960.

Branagh virou faz-tudo, e quase sempre bem. Dirigiu terror (Frankenstein), fantasia (Cinderela), Marvel (Thor), mistério (O Assassinato no Expresso do Oriente). Dirigiu também espionagem e, nesta segunda, 16, um bom programa é Operação Sombra – Jack Ryan, que passa no Telecine Action, às 23h55.

O filme de 2014 é dedicado à memória do escritor Tom Clancy, que morreu em 2013. Clancy reformulou o conceito de espionagem no pós-guerra fria, e justamente com esse personagem. O primeiro Jack Ryan, em Caçada ao Outubro Vermelho, de John McTiernan, é de 1990. O ano é 1984 e um submarino soviético – ainda havia URSS – aproxima-se perigosamente da costa dos EUA. Um especialista, Jack Ryan/Alec Baldwin, tenta antecipar o que se passa na mente do almirante Ramius/Sean Connery. Ele vai atacar? Um thriller mental era uma raridade na época, e continua sendo. A ação como um jogo de xadrez. Qual será o próximo lance?

Jack Ryan viveu novas aventuras interpretado por Harrison Ford (Jogos Patrióticos e Perigo Real e Imediato) e Ben Affleck (A Soma de Todos os Tempos). Todos esses filmes estão disponíveis em DVD, senão nas plataformas de streaming. Chris Pine foi o quarto ator a viver o papel – no filme de Branagh. A diferença é que não se trata de uma adaptação, mas do roteiro original de David Koepp e Adam Kozer, aprovado pelo próprio Clancy. O roteiro faz uma espécie de súmula da vida de Ryan. Fuzileiro no Afeganistão, ferido em combate, é recrutado pela CIA e vai trabalhar como analista de compliance em Wall Street (e, secretamente, na agência de inteligência). Descobre que o homem mais rico da Rússia está movimentando contas na base do trilhão, no que poderá ser um ataque terrorista econômico virtual para colocar a economia dos EUA no chão. Ryan é enviado a Moscou para investigar, mas Cherevin, o ricaço, arma para que a agência o considere traidor.

Para complicar, a mulher de Ryan, Keira Knightley, o segue na Rússia e cai nas mãos do vilão. O próprio diretor Branagh é quem faz o papel. O filme tem ação, romance, mas a trama apoia-se muito no universo virtual. Um thriller dos novos tempos? Aonde chegou a espionagem no século 21? É atividade econômica, mais que geopolítica e estratégica? Interessantes questões que o filme tenta responder.

FILMES NA TV

Fala Comigo

(Brasil, 2016.) Dir. e roteiro de Felipe Sholl, com Denise Fraga, Karine Teles, Tom Karabachian, Daniel Rangel, Letícia Novaes.

Felipe Sholl escreveu o roteiro como trabalho de conclusão de curso e demorou mais de dez anos para fazer o filme – como diretor. A espera ajudou, e maturou a atriz – Karine Teles ainda era muito jovem quando leu o papel. Garoto tece fantasias com as pacientes da mãe terapeuta. Envolve-se com uma, e a relação é complicada. Karine foi melhor atriz no Festival do Rio. 

C. BRASIL, 19H55. COL., 92 MIN.

Psicose/Psycho

(EUA, 1960.) Dir. de Alfred Hitchcock, com Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, John Gavin, Martin Balsam.

O clássico de Hitchcock sobre o mistério do Bates Motel. Janet Leigh, como Marion Crane, dá desfalque na firma e foge. Vai parar no motel e é assassinada. Por quem? Qual é o segredo guardado por Norman/Anthony Perkins? Baseado no pulp de Robert Bloch, o filme leva o suspense ao limite.

TEL. CULT, 18H25. P&B, 108 MIN.

O Último Metrô/Le Dernier Métro

(França, 1980.) Dir. de François Truffaut, com Catherine Deneuve, Heinz Bennent, Gerard Dépardieu, Jean Poiret, Jean-Louis Richard.

O maior sucesso de público da carreira de Truffaut é uma evocação do mundo do teatro sob a ocupação nazista da França. Deneuve dirige o teatro do marido, que, por ser judeu, teve de fugir. Mas ele está escondido no sótão e segue tudo o que se passa, inclusive o interesse da mulher por seu galã (Depardieu).

TEL. CULT, 1h35. COLORIDO, 128 MIN.

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