Bôscoli põe a Radiola para tocar

Com a bênção de Fernando Faro, músico prega 'pé no chão' em programa na TV Cultura

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2008 | 21h10

Cadeiras espalhadas pelo quintal, o entra e sai de gente e o clima despojado do antigo casarão no bairro de Pinheiros - com piso de tacos e pé-direito alto -, onde ficam os estúdios da gravadora Trama, dão o tom de como será o Radiola, novo programa semanal de música da TV Cultura, que estréia amanhã, às 19h30.Lá, em uma semana do mês de abril, 30 bandas se revezaram para gravar quadros da atração, comandada pelo dono da Trama, João Marcello Bôscoli, primogênito de Elis Regina. A idéia do programa foi dele, em parceria com Fernando Faro, o criador do clássico Ensaio e hoje coordenador do Núcleo de Música da Cultura. "Nossa missão é fazer o registro da música do Brasil de hoje", diz o apresentador. Já que a idéia é dar espaço aos artistas que geralmente não têm visibilidade para o grande público, não espere ver cantores que bombam nas rádios. "Isso seria redundância. O que acrescentaria a esses artistas ir ao Radiola?"Então não haverá artistas conhecidos? "Traremos grandes artistas, mas só aqueles que conseguem deixar o ego nos cabides que temos do lado de fora do estúdio. Aqui é pé no chão total. Não tem essa de pedir chá e camarim", ironiza.Pé no chão, mas um chão confortável, é claro. Todos que lá gravam têm direito à farta mesa de petiscos, a carro que pega em casa e a bons equipamentos. "Esta mesa de som é uma Neve. Custou US$ 1 milhão e só tem 13 no mundo e uma é de George Lucas", conta Bôscoli.Contrariando a lógica da TV aberta, ele nega que esteja em busca de audiência. "Na minha casa, disco de ouro ia para o canil. Minha mãe dizia que aquilo não tinha a menor importância. Por isso, a palavra ibope não existe no meu vocabulário. Meu papo é som. "

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