Bonecos e DVDs foram aperitivo

Quem foi criança nos anos 70 pode querer negar para esconder a idade, mas certamente se lembra das imagens em preto-e-branco de uma turma alegre que vivia em uma vila divertida, onde humanos, bichos e bonecos falantes brincavam, cantavam e dançavam juntos. Vila Sésamo estreou por aqui em 1972, na TV Cultura, com co-produção da Rede Globo. O Brasil foi o segundo mercado de exibição no mundo da série, que depois conquistou cerca de 120 países. A partir do 40º capítulo, o programa foi abrasileirado e ganhou linguagem própria, além de substituir as canções originais e mudar as cores de alguns personagens. Em 1973 passou a ser exibido apenas pela TV Globo. Nessa época, um grande time de atores fazia parte do elenco. Entre eles, além da então novata Sônia Braga, estavam Aracy Balabanian, Armando Bógus, Flávio Galvão e Manoel Inocência. A gravação da série no País ocorreu até 1977 e, em 1978, foi ao ar o 260º e último capítulo do programa. REPAGINADO Por enquanto, a nova versão nacional da vila tem apenas bonecos. Mas a hipótese de voltar à conhecida fórmula de misturar humanos e personagens lúdicos não está descartada. "Futuramente, pode ser que haja a participação de pessoas contracenando com os bonecos", revela Paulo Markun, diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta. E tudo tem um significado - como as listras estampadas nas roupas de Enio e Beto: as horizontais ressaltam a personalidade descontraída de Enio, enquanto as verticais acentuam o jeito sério e responsável de Beto. Os produtores do programa estão otimistas em relação à audiência. Espera-se que adultos assistam para matar saudades e que, pela TV aberta, crianças de todas as classes sociais tenham acesso à atração. Muitas conhecem os personagens do Vila Sésamo pelos produtos da marca, como DVDs e brinquedos. Se depender do boneco Elmo T.M.X, que rola de rir no chão quando lhe fazem cócegas e vendeu mais de 5 milhões de unidades nos Estados Unidos , o programa pode ser sucesso. Lançado recentemente no Brasil, ele também virou sensação, apesar do preço salgado (R$ 299). Lá da Vila Garibaldo sempre foi amarelo, mas ficou azul na primeira versão vista no Brasil. A troca da cor facilitava sua visualização nas tevês em preto-e-branco. O ator que interpretava o grande pássaro na década de 70, Laerte Morrone, morreu em 5 de abril de 2005, aos 70 anos. Na África do Sul, a personagem local é a boneca Kami, portadora do vírus HIV. No México, enquanto esteve no ar (1972/81), o programa mostrou histórias de crianças portadoras de deficiências. Em 1993, a Vila ganhou versão produzida em conjunto por palestinos e judeus, mas ficou no ar até 2000, quando ataques terroristas acirraram clima de intolerância na região. A renda obtida com os produtos licenciados pela Sesame Workshop é revertida para o próprio projeto educaconal da entidade. Bel escapa da caricatura Em sua nova temporada no Brasil, Vila Sésamo quer ter a cara do País. A personagem criada para a versão brasileira, porém, não tem as cores da bandeira, nem qualquer traço físico que faça alusão a símbolos nacionais. Bel, a monstrinha que teve origem na floresta do Brasil, tem a cor pink, é esperta e um tanto afobada. "Não podíamos fantasiar uma menina de 3 anos de Carmem Miranda. Não era a intenção folclorizar a personagem, nem marcar uma criança brasileira como se ela tivesse uma característica emblemática", explica o roteirista da série Fernando Salem. Além de amar a natureza, a característica que mostra a brasilidade de Bel é seu jeito doce, meigo, mas inquieto de ser. Segundo a coordenadora do Núcleo Infanto-Juvenil da Fundação Padre Anchieta, Âmbar de Barros, a personalidade espevitada da boneca - que pede beijos como prêmio por contar os números corretamente - reflete a cultura afetuosa dos brasileiros. Criado pelo cenógrafo Gert Seewald, o cenário também tem peculiaridades nacionais. As casas são coloridas e há cerâmicas decorativas com desenhos indígenas Marajoaras nas paredes. Portas e janelas foram inspiradas no interior paulista, Minas e Goiás. Os móveis são de fibras naturais e o chão é um mosaico de diversos pisos encontrados em São Paulo. A.D

O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2007 | 21h26

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