Bom mesmo é casar arranjado

Depois de ver tanta mocinha da ficção - e da vida real, nem se fale... - penando atrás de um amorzinho intempestivo e indócil, chego à conclusão de que Glória Perez é muito sábia. Bom mesmo é casamento arranjado!Sei que Caminho das Índias mal começou e que eu deveria dar mais uma chance para o Bahuan (Marcio Garcia), mas já escolhi: vou torcer para que o Raj (Rodrigo Lombardi) conquiste de vez o posto de mocinho. E se a consequência é que ele se enroscará de vez na Maya (Juliana Paes), está bem, vamos lá.Depois de ter posto a Dara (Tereza Seiblitz) de Explode Coração (1995) numa roubada chamada Cigano Igor (Ricardo Macchi), Glória aperfeiçoou o modelo "noivo de encomenda" e nos demonstrou as delícias do casamento arranjado em O Clone (2001). O Said de Dalton Vigh era tão bacana, mas tão bacana, que quase desbancou o Lucas (Murilo Benício) - seu irmão gêmeo e seu clone alaranjado junto - mal foi possível convencer a audiência de que Jade (Giovanna Antonelli) estava indo para o sacrifício ao se casar com ele. Entre os comentários que se ouvia na época, aliás, não me lembro de nenhum que fosse a favor do herói duplicado. Ponto para o Said, um moço seguro, alto e digno de confiança (e, claro, ponto para Dalton também). Bem diferente do Lucas - uns 20 centímetros mais baixo, perdido em dúvidas existenciais e com mania de vagar pelo deserto, coitado.Raj vai no mesmo ritmo (e muitos pontos para Lombardi, ex-descamisado de novela das 7 que surpreendeu em Desejo Proibido, no ano passado). Enquanto Bahuan fica lá aprisionado ao sistema de castas, Raj está fechando negócios internacionais com aquele lenço charmoso no pescoço. Bahuan tem sardinhas infantis; Raj tem aquele nariz interessante. A família do Raj é dona de um comércio de sedas maravilhosas, oba. E que tal ter o fofo Tony Ramos como sogro? Ih, é melhor o Bahuan se cuidar... Se com suas "novelas antropológicas" a autora quer que olhemos com atenção para o quintal cultural alheio, taí, conseguiu - a grama onde está Rodrigo Lombardi é mais verde. Afinal, pra que a gente vai ficar por aí, passando de Zé Bob para Zé Bob se os nossos pais podem pôr o José de Abreu no encalço de um Said ou de um Raj pra gente, me diz? e-mail: patricia.villalba@grupoestado.com.br

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