‘BoJack Horseman’ acompanha a saga de um cavalo humano em Hollywood

Animação do Netflix ironiza atores decadentes; leia entrevista com Aaron Paul, que dá voz a um dos personagens

Entrevista com

Aaron Paul

Gabriel Perline, O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2014 | 20h00

Uma estrela decadente da TV tenta reencontrar o caminho da fama, mas o vício em álcool e o temperamento explosivo a faz trilhar o caminho oposto ao do sucesso. Este prólogo recorrente no currículo de algumas celebridades americanas se repete na vida do protagonista de BoJack Horseman, animação exclusiva do Netflix disponível na íntegra - são 12 episódios no total - a partir do dia 22 na plataforma de streaming. Com texto irônico e repleto de indiretas aos casos reais de Hollywood, a série traz um personagem metade humano, metade cavalo, na busca da popularidade perdida.

E os ‘absurdos’ propostos no universo de BoJack (voz de Will Arnett) são os pontos fortes desta animação, que traz outros bichos humanizados relacionando-se - inclusive no sentido sexual do termo - com humanos. 

E não para por aí: o cavalo é viciado em uísque e algodão-doce, além de sofrer de baixa autoestima desde que sua série, Horsin’ Around, foi cancelada, em 1996, na qual interpretava um solteirão, pai adotivo de três crianças. Fora das telas, uma celebridade em evidência, que não soube lidar com o fim da trama, passando de astro admirado a motivo de chacota.

A seu favor, BoJack tem o amigo Todd Chavez (voz de Aaron Paul), um rapaz que surgiu na casa do cavalo em uma festa, dormiu no sofá e nunca mais saiu de lá. “A moral desta série é mostrar humanos e animais convivendo juntos”, disse Aaron Paul em entrevista ao Estado. “Todd é um cara do tipo que só quer se divertir, tipo um vagabundo, mas que se considera parceiro de BoJack. Ele está tentando trazer positividade à vida do cavalo.”

‘BoJack Horseman’ ironiza a realidade de celebridades que estiveram no auge e agora lutam para permanecer em evidência. Em sua opinião, se BoJack fosse real, quem ele seria? 

Oh, cara. Ele seria alguém muito triste, sabe? Há muita gente neste ramo desesperada pela fama, e isso é terrível. Eu, pessoalmente, não gosto de atenção. Quer dizer, gosto de tentar atender os fãs sempre que posso, mas me sinto fraco quando toda a atenção está sobre mim. Mas BoJack está tentando voltar, não só colocar sua carreira de volta nos trilhos, mas voltar ao centro das atenções. Na vida real, não sei quem ele seria. Não quero jogar ninguém debaixo de um ônibus.

BoJack é um cavalo alcoólatra. E, assim como em ‘Breaking Bad’, você tem um amigo problemático. O que acha disso? É coincidência?

Sim. Quer dizer, não sei. Acho que sempre transitei entre personagens e histórias complicados. E BoJack é alcoólatra, luta contra seus demônios internos. Todd tenta ajudá-lo no meio de sua bagunça. Estou feliz por ser a voz da razão, mais uma vez. 

Vê alguma semelhança entre Todd e Jesse Pinkman?

Todd é um cara do tipo que só quer se divertir, um vagabundo, mas que se considera parceiro de BoJack. Ele está tentando trazer positividade à vida do cavalo. E é um grande fã de rock. Então, eu não acho que exista qualquer semelhança com Jesse.

Quanto você acha que Breaking Bad o ajudou a obter tantos papéis? Além disso, tem sido difícil se separar de um personagem tão icônico? 

Antes de mais nada, tudo foi por causa de Breaking Bad. Vince Gilligan é a razão de eu ter uma carreira hoje. Ele era o único que me queria no papel depois que fiz o teste. Ele lutou por mim e me deu esse trabalho. E sim, foi difícil me separar de Jesse. Quero dizer, era fácil pular para outras histórias e interpretar outros personagens, mas foi difícil, acho que para todos nós que trabalhamos na série e também para os fãs, dizer adeus. É uma daquelas séries que você quer segurar e não quer que acabe nunca. Mas eu estou feliz que Breaking Bad tenha terminado do jeito que aconteceu, pois acho que foi perfeito. 

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