Bob Dylan é reduzido à condição de morto

O diretor Todd Haynes faz um mosaico da vida do compositor, visto como um espectro

ANTONIO GONÇALVES FILHO, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 23h52

Mais que uma cinebiografia do cantor e compositor Bob Dylan, Não Estou Lá, o filme experimental de Todd Haynes em que astros se revezam no papel, é a vivissecção de um astro pop. Haynes divide Dylan em seis pedaços (ou personas): o primeiro é o embrião de um herdeiro musical de Peg Leg Joe, que durante a Guerra Civil americana ajudou escravos a fugir para o Norte, cantando, de plantação em plantação, Follow the Drinking Gourd, pioneira canção de protesto. O segundo é um simulacro de Woody Guthrie , o herói folk que fez a ponte entre o blues e a geração do rock. O terceiro é o próprio Dylan, ídolo da mais louca década do século 20, a de 1960. Os outros três personagens são representações metafóricas e fazem a ligação entre Dylan e o cinema, o compositor e a poesia e o ícone e seu fantasma. Sim, porque, a cada aparição, Dylan é morto para surgir uma nova persona.

Haynes é impiedoso com Dylan, reduzido à condição de espectro. De cantor morto (Cate Blanchett) ele passa a poeta anacrônico, cantor de protesto convertido em pastor e, finalmente, a um patético ator condenado a fazer papéis de outsider.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.