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‘Black Mirror’ e o lado sombrio das redes

Anunciada para 2016, 4ª temporada da série vai contar com 12 episódios

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

06 de dezembro de 2015 | 05h00

Em um futuro indefinido, a tecnologia avançou a tal ponto que tornou possível bloquear pessoas na vida real assim como fazemos nas redes sociais. Conversar com alguém que já morreu ou gravar com os olhos, em formato HD, todos os momentos do dia também serão parte da rotina. Para o bem ou para o mal. 

A cada novo episódio da série Black Mirror, que o Netflix acrescentou ao seu cardápio sem alarde no fim de novembro, o público é levado a divagar sobre até onde vai a tecnologia e o vício dela decorrente.

O enredo distópico logo virou hashtag e se espalhou como um rastilho de pólvora nas redes sociais justamente por brincar com o lado mais sombrio de ferramentas como Twitter, Facebook e YouTube.

As três temporadas já disponíveis são curtas – três episódios cada – e contam histórias independentes. Já a quarta, que foi anunciada para 2016 e terá a produção assinada pelo Netflix, contará com 12 episódios. Entre 2011 e 2014, as duas primeiras temporadas foram ao ar no Channel 4 do Reino Unido.

Antes de chegar ao Brasil, Black Mirror recebeu alguns dos principais prêmios mundiais de TV: um Emmy internacional, um Peabody Award, uma Rose D’Or e ainda foi nomeado para um prêmio Bafta.

A herdeira do trono britânico é sequestrada e seu algoz faz apenas uma exigência: que o primeiro-ministro faça sexo com um porco. Pior: que a cena seja transmitida ao vivo em rede nacional.

A primeira reação da opinião pública, do governo e da própria rainha foi de indignação, mas aos poucos o cenário vai mudando depois que a princesa é colocada em frente a uma câmara que transmite ao vivo seu calvário.

Nos bares, nas ruas e nas rodas de conversa o povo começa a convergir para a opinião que seria nojento ver o líder político da nação em tal situação, mas depois desse “esforço” ele seria um herói nacional. Impossível. A própria esposa do primeiro-ministro passa aceitar a ideia. “Não é qualquer princesa. É a princesa do Facebook, preocupada com o meio ambiente, a queridinha do país”.

Esse episódio ganhou um sabor especial quando depois do lançamento da biografia não autorizada do primeiro-ministro britânico, David Cameron, outubro, teria introduzido “uma parte íntima de sua anatomia na boca de um porco morto” em um ritual de iniciação para integrar uma sociedade secreta na Universidade de Oxford.

O episódio seguinte da primeira temporada, que é melhor que a segunda, mistura misoginia, gordofobia e obsessão pelo corpo em um ambiente nonsense onde as pessoas vivem para pedalar em bicicletas ergométricas e trocam seus créditos pela oportunidade de mudar de vida em um programa de auditório bizarro que lembra o The Voice.

Diversas parábolas de realismo fantástico decorrentes da tecnologia extrema foram exploradas nos nove episódios produzidos até agora, sempre com elenco, locações e roteiros diferentes um do outro. Em entrevistas, o criador da série, Charlie Brooker, classificou a tecnologia como uma droga. Seu foco seria, portanto, mostrar os efeitos colaterais da dependência desse “espelho negro” que é representado pelos monitores de TV, smarthphone e afins. Isso tudo sem tese e com sequências nervosas que vão do drama ao humor negro.

Fica o alerta. Black Mirror causa forte dependência. 


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