Bergman fala sobre o pesadelo da arte

A Hora do Lobo narra o tormento de um pintor acossado por demônios que surgem da sua obra

ANTONIO GONÇALVES FILHO, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2009 | 00h12

Há 41 anos o cineasta Ingmar Bergman (1918-2007) estava namorando sua atriz predileta, Liv Ullman, quando esta ficou grávida em meio às filmagens do cult A Hora do Lobo (Versátil Home Video), um dos mais enigmáticos filmes do diretor sueco. Bergman incorporou a gravidez da atriz e tornou ainda mais perturbadora a atmosfera dessa obra-prima sobre o pesadelo da criação artística. Max von Sydow (Johan) é o marido pintor de Liv Ullman (Anna), acossado pelos personagens que cria e tomam vida na forma de misteriosos vizinhos, habitantes da desértica ilha onde o casal se instala.

O título do filme faz menção ao ligeiro intervalo entre a noite e o dia. Nele, os pesadelos são mais assustadores e uma legião de demônios invade o mundo dos vivos. O pintor é sua vítima preferencial, intimidado pela hierarquia social do kafkiano castelo da ilha. Anna, sua mulher, tenta salvá-lo da loucura, mas, logo no prólogo, sabe-se que a tentativa será inútil. O DVD traz ótimos extras com Bergman e os atores ( Erland Josephson e Liv Ullman). Item essencial de colecionador.

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