Bergman essencial para o colecionador

Um dos melhores filmes do diretor sueco volta em versão restaurada, 'Juventude', de 1951

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2008 | 00h27

O cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard dispensa todos os outros filmes de Ingmar Bergman para ver essa primeira obra-prima do diretor sueco, anterior ao clássico Noites de Circo. Paixão justificável: Juventude, de certa forma, antecipa Persona, filme em que Bergman coloca em questão a arte da representação, contando a história de uma atriz que fica muda durante uma apresentação de Electra.  Em Juventude, também uma bailarina fica paralisada ao buscar uma resposta para suas questões existenciais. Tudo começa quando Marie recebe o diário de um antigo namorado, enviado por seu tio, um ato de vingança familiar (e incestuosa) motivado por uma paixão sem correspondência. Todos os fantasmas que rondam os filmes de Bergman já estão presentes nesse esboço de parábola psicológica sobre o vazio, que não dispensa referências melodramáticas. Marie deve reconstruir seu passado para colocar o futuro em pauta, deixando de representar momentaneamente por conta de um metafórico curto-circuito que impede sua performance às escuras. Os espaços vazios do prólogo lembram Antonioni, mas os traumas de infância são puro Bergman. Item essencial de colecionador.

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