Luke MacGregor/Reuters
Luke MacGregor/Reuters

Ben Stiller dirige história verídica da fuga de uma penitenciária

'Escape at Dannemora' é estrelada por Benicio Del Toro e Paul Dano

Michael Wilson, The New York Times

16 Novembro 2018 | 06h00

Então, um roteirista, um fotógrafo, o promotor público de Clinton County, em Nova York, e Ben Stiller aparecem juntos em uma esquina de uma pequena cidade para olhar um bueiro. Parece uma armação para piada – e isso foi um problema. “Entendi”, disse Stiller recentemente. “Ben Stiller vai chegar e fazer piada sobre isso e tirar sarro de nós”.

Sua resposta a essas suposições que estavam na sua chegada há dois anos a Dannemora, Nova York, chega à TV pela Showtime no domingo, 18, na forma de uma minissérie em sete partes chamada Escape at Dannemora (Fuga em Dannemora). A série é baseada na vida real. Conta a fuga de dois reclusos da instalação de segurança máxima Clinton Correctional Facility em 2015 – eles saíram daquele mesmo bueiro – e mostra as semanas de verão na caça aos homens nas densas florestas do norte de Nova York, perto da fronteira canadense. A série é estrelada por Benicio Del Toro e Paul Dano como os presos e Patricia Arquette, quase irreconhecível depois de ganhar 18 quilos e um sotaque do norte do país, como Joyce Mitchell, a funcionária da prisão que os ajudou a sair.

Todos os episódios foram dirigidos por Stiller, mais conhecido por seu trabalho à frente e atrás das câmeras em suas próprias comédias, incluindo os filmes Zoolander e Trovão Tropical. Os elementos de mau gosto da história de fuga da prisão, incluindo os envolvimentos românticos de Mitchell com ambos os presos, parecem se prestar a uma comédia sombria.

Não para Stiller. Pelo contrário, ele fez um drama intenso e corajoso que evoca os thrillers dark dos anos 1970, repletos de suspense do gênero de fuga de prisão que utiliza sua profunda pesquisa e atenção aos detalhes em seu uniforme listrado.

“Eu estava curioso em saber se algo assim realmente acontece”, disse Stiller, em seu escritório em Manhattan. “Isso nos levou a aprender mais sobre a dinâmica da prisão e todo o ecossistema da prisão.”

Dois roteiristas, Brett Johnson e Michael Tolkin, estavam trabalhando juntos na série Ray Donovan quando os detentos desaparecidos foram encontrados em 6 de junho de 2015. Eles acharam os detalhes sensacionais e fascinantes: os detentos David Sweat e Richard Matt, ambos assassinos condenados, serraram paredes meticulosamente e um espesso e largo cano de vapor sob a enorme prisão e emergiram no bueiro mais próximo de onde estavam. As serras e outras ferramentas que eles usaram vieram de Mitchell, que inicialmente planejava matar seu marido e fugir para o México com os condenados, mas em vez disso mudou de ideia e teve um ataque de pânico.

Os roteiristas começaram a trabalhar no texto mesmo com a caçada se arrastando naquele verão. Então, em 26 de junho, os policiais encontraram Matt fora de um trailer na floresta e o mataram. Sweat foi capturado dois dias depois. Mitchell e um oficial de correções, Gene Palmer, interpretado por David Morse, foram presos e acusados de ajudar na sua fuga.

Os dois roteiristas trouxeram um rascunho de texto para Stiller, que estava na Itália filmando Zoolander 2 durante a caçada aos homens. “Perguntei a eles o quanto era real”, disse. Cinquenta por cento, responderam. Stiller rejeitou. “Não quero que se invente nada.”

Um ano depois, o Inspetor-geral do Estado divulgou um relatório de 150 páginas revelando detalhes dos acontecimentos que levaram à fuga e a negligente supervisão atrás dos muros da prisão, que permitiu que os internos trabalhassem em seu plano sem serem notados.

“Vejo isso como um romance”, disse Stiller. Os roteiristas acharam material e trechos de entrevistas com os envolvidos que eram melhores do que qualquer coisa que poderiam ter inventado. Por exemplo, Palmer, o oficial, lembrou-se de dar ao recluso Matt um pacote de carne moída em sua cela, sem saber que Mitchell havia escondido uma lâmina lá dentro. O próprio presente era proibido, mas dificilmente seria incomum na relação entre carcereiro e encarcerado.

“Eu sabia”, disse Palmer aos investigadores, que “estávamos em uma área cinzenta com a carne”. Essa frase se tornou uma espécie de mantra nos bastidores do programa, segundo Stiller. Lembrem-se da área cinzenta. “A complacência foi crescendo com o passar dos anos, tão velho era o lugar”, disse Stiller da prisão, que abriu em meados do século 19. “Se encararmos em termos de gerações, são as mesmas regras há anos. Muitos parentes de agentes, seus pais trabalharam lá, seus avós”.

Del Toro acha que Matt era o tipo de detento que acaba ficando “mais à vontade na prisão”, e que talvez ele sempre achasse que seria capturado. “Se voltasse, ele teria essa história de uma vida inteira”, disse. “Uma tremenda história.” / Tradução de Claudia Bozzo 

Mais conteúdo sobre:
Ben Stillerminissérie

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.