Tina Fineberg/The New York Times
Tina Fineberg/The New York Times

Ben McKenzie fala da carreira e da série ‘Gotham’

‘A arte me abriu as portas do mundo’, diz o ator

Entrevista com

Ben McKenzie

Lewis Beale , NEWSDAY

24 Dezembro 2014 | 17h35

LOS ANGELES - Ben McKenzie recebeu atenção pela primeira vez quando interpretou o problemático adolescente Ryan Atwood na série The O.C. – Um Estranho no Paraíso, que fez sucesso na TV. Não contente em ser um ídolo adolescente, seu papel seguinte foi de policial angeleno na série Cidade do Crime, aclamada pela crítica. Agora, o ator de 36 anos é o astro da série Gotham, exibida no Brasil pela Warner. É uma espécie de retrato da cidade antes de Batman, no qual personagens como Pinguim, Mulher-Gato e o próprio Bruce Wayne aparecem muito mais jovens do que estamos acostumados a vê-los. No seriado, McKenzie interpreta o detetive Jim Gordon – futuramente comissário Gordon –, veterano de guerra obrigado a lidar com uma cidade de corrupção desenfreada. 

Quais foram seus primeiros pensamentos quando soube da ideia da série? 

O conceito me pareceu bem interessante, usar essa mitologia que é conhecida por uma quantidade enorme de pessoas e voltar ao início de tudo, fazendo uma única mudança – Jim Gordon e Bruce Wayne entram em contato no começo da história, formando seu elo desde cedo. Foi uma ideia ótima, e difícil de realizar.

Descreva seu personagem.

Ele acaba de deixar o exército, é um herói de guerra e está voltando a Gotham como adulto pela primeira vez, depois de deixar a cidade sob circunstâncias trágicas, pois o pai morreu num acidente de carro. Ele volta e não sabe quanto a cidade se tornou moralmente corrupta. Ele tenta buscar a justiça num mundo injusto. Há elementos da trama que lembram Serpico e sagas do crime como O Poderoso Chefão e outras do tipo, com criminosos disputando o controle da cidade.

Os fãs dos quadrinhos tendem a ser muito protetores em relação aos seus personagens favoritos. Está preocupado com a reação deles à série? 

Sim, estou. Poderia fingir que isso não me preocupa, mas, como ator, é impossível controlar o processo da mesma maneira que controlamos uma cena de momento a momento. Quem sabe como os fãs mais aficionados vão receber a história? Acho que estamos produzindo um seriado excelente. Não cresci como fã dos quadrinhos, mas recebo muito retorno de pessoas desejando que a atração seja um sucesso.

Depois de dois seriados filmados em Los Angeles, agora você está trabalhando em Nova York. Qual é a diferença? 

Eu estou adorando Nova York. Gotham sempre foi uma sombra de Nova York. Há nessa cidade uma energia que não se pode reproduzir num estúdio em Burbank, na Califórnia. É preciso estar imerso nessa energia para trazê-la à tela.

Seu seriado anterior, Cidade do Crime, tinha uma trama mais pesada sobre policiais de Los Angeles. Elogiado pela crítica, foi cancelado pela NBC, e em seguida trazido para a TNT, onde pareceu atrair poucos espectadores. Você acha que o programa teria mais sucesso num canal a cabo como a HBO? 

Talvez. É impressionante o quanto as coisas mudaram rapidamente na indústria da TV. Em meus 10 anos de carreira nas telinhas, o mercado ficou muito diferente, explorando modelos mais voltados para nichos de conteúdo. Acho que a TNT nos tratou muito bem; nunca alcançamos audiência comparável à de suas séries de mais sucesso, e eles continuaram ao nosso lado. Parece que não nos enquadramos entre o restante das atrações da emissora; talvez essas não fossem tão agressivas quanto o nosso programa. Não guardo nenhum ressentimento deles.

Você vem de uma família com boa formação. Pai advogado, mãe poeta e premiada, irmão editor da Ucla Law Review e tio dramaturgo, também premiado. Como tudo isso o influenciou? 

Foram influências muito importantes. Cresci com a ideia de que é preciso levar a sério aquilo com que trabalhamos. Tínhamos sempre conversas na mesa de jantar, sobre história, política, arte, literatura. Fui a Nova York quando tinha 12 anos para ver uma peça de meu tio e isso me fez entender que havia um mundo maior lá fora, com pessoas que trabalhavam com a arte, e aquilo pareceu maravilhoso. Foi o que me levou a tentar trabalhar com algo que eu realmente quisesse. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL 

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