'Beleza é exceção; novela é massiva'

Criador da Betty, a Feia diz que personagem gerou identificação no público. Daí o sucesso

Etienne Jacintho, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 21h51

Com a novela Betty, A Feia, de 1999 - exibida duas vezes pela Rede TV! no Brasil -, o autor colombiano Fernando Gaitán conquistou o mundo. A trama simples, da garota doce, de ótimo caráter e péssimo visual já teve 12 versões produzidas em países como Rússia, Holanda e Croácia. Em Israel foi feita uma cópia do folhetim, mas sem a compra dos direitos autorais.A consagração veio com Ugly Betty, a série produzida pela atriz Salma Hayek para o canal americano ABC - no ar aqui no canal Sony. "A história deu a volta no mundo e nem pensávamos nisso quando a produzimos", contou Gaitán durante o 9º Fórum Brasil, evento de TV para o mercado internacional que foi realizado em São Paulo, na semana passada.Mas não foi Betty quem colocou Gaitán na rota internacional. O autor conta que, por muito tempo, a TV colombiana tentou meios de exportar sua produção e que, para isso, tornou as novelas menos locais, sem sotaques nem temas muito colombianos como política, santos, costumes... Na contramão, o autor decidiu fazer, em 1994, Café com Aroma de Mulher. "Era uma novela muito colombiana e não achávamos que iríamos exportá-la. A trama de amor de Gaitán, entretanto, viajou. Aqui no Brasil, quem exibiu a história foi o SBT.Betty foi outra boa surpresa e Gaitán percebeu que o esforço de evitar costumes colombianos não garantiam a venda de produtos para o exterior. O que conta é uma boa idéia que seja universal. Novamente, o autor foi de encontro às convenções. Quem disse que mocinha de novela tem de ser bonita? "A telenovela se desenvolve em um ambiente conservador", explica Gaitán. "Geralmente, ela anda para trás. Então, foi a primeira vez que tivemos uma protagonista feia."Para o autor, o segredo do sucesso de Betty é a identificação com o telespectador. "Beleza é exceção. Novela é massiva." Fora a identificação, Gaitán acredita que Betty se transformou em um ponto de sensibilidade mundial já que mostrava a marginalidade à mulher. "Um bonitão que namora uma feia só para salvar sua empresa é dramático", fala. "Mas há humor." Versão americanaAlém de a história de Betty ser atemporal, outro detalhe contribuiu para o sucesso. Segundo Gaitán, os compradores do formato têm uma grande liberdade em relação ao texto. Tanto que a versão americana não é telenovela. É série. "Salma (Hayek) teve muita liberdade", afirmou o autor em entrevista após receber homenagem no 9º Fórum Brasil. "Ela e a equipe souberam respeitar o espírito da obra e dos personagens." Ele conta que não teve participação em Ugly Betty, mas que a viu antes de ir ao ar nos EUA. "Gostei muito desde o início. É interessante e diferente."

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