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'BBB 21' ajudou o brasileiro a mudar o foco e a pensar em questões urgentes

Para o psiquiatra Daniel Martins de Barros, as pessoas precisavam se desligar, pelo menos durante o tempo do programa, da pandemia

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2021 | 16h08

Chega ao fim uma das mais acaloradas edições do Big Brother Brasil, e o que aconteceu dentro da casa não foi muito diferente do que ocorre fora. Polarização, racismo, tortura psicológica, sexualidade, rejeição e cancelamento foram alguns temas que marcaram o reality show. Discussões que viraram moda recentemente ou que desafiam o País há séculos. E o que fica disso tudo?

Para Daniel Martins de Barros, psiquiatra e professor do Departamento e Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e colunista do Estadão, o BBB 21 pode pautar uma discussão, mas ele também é pautado por ela. 

“Se o programa trouxe esses pontos é porque também estávamos, de alguma maneira, falando sobre eles ou começando a pensar sobre esses problemas. O programa não vai trazer uma modificação para a sociedade, mas ele é mais uma peça, mais um tijolo para construir algumas dessas mudanças”, comenta. Mesmo que a discussão esfrie. “O assunto, obviamente, vai sair da pauta, não vai continuar reverberando na mesma intensidade, mas é um movimento - e o programa faz parte desse movimento; portanto, neste sentido, acaba contribuindo para o debate, embora não seja a peça principal”, afirma.

O confinamento imposto também aos brasileiros, pela pandemia, contribuiu para que esta fosse uma das mais assistidas e comentadas edições do Big Brother Brasil - uma edição vencida pela advogada e maquiadora paraibana Juliette Freire, que no ano passado precisou recorrer ao auxílio emergencial e agora ganhou R$ 1,5 milhão, 24 milhões de seguidores e muito mais que ainda pode vir.

“As pessoas comuns, gente como a gente, quando entram no programa se transformam em celebridades. E isso mexe um pouco com o nosso imaginário e nos aproxima um pouco desses famosos. Um famoso que era como a gente, mas que agora é famoso. Não temos tanto interesse na pessoa comum”, diz o psiquiatra. Ele completa: “E as narrativas de batalha, vitória e superação de obstáculos tendem a fazer muito sucesso. Gostamos das histórias de sucesso e superação.” 

Este foi um Big Brother que ajudou o brasileiro a mudar o foco e a pensar em questões importantes. “Acredito que os bons números vieram deste contexto de pandemia: as pessoas precisavam de coisas para se distrair, se desligar e, pelo menos naquele momento, não ficar pensando em vírus, vacinas e perdas. E também do fato de terem conseguido colocar em pauta temas que estavam reverberando na sociedade. O programa explorou bem isso.”

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