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Baz Luhrmann leva estilo exuberante para série que recria o início do hip-hop

Com impressionante reconstituição de época, ‘The Get Down’, que estreia dia 12, volta à Nova York de 1977

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

06 de agosto de 2016 | 18h00

LOS ANGELES - O australiano Baz Luhrmann é conhecido por suas extravagâncias no cinema. Em filmes como Romeu+Julieta (1996), Moulin Rouge – Amor em Vermelho (2001) e O Grande Gatsby (2013), não falta “bling”: muito brilho, uma câmera que não para e cores vibrantes. Agora, ele leva o mesmo conceito para a TV, mais especificamente para a Netflix, com a estreia de The Get Down, cuja primeira parte, com seis episódios, fica disponível no serviço na sexta, 12. A série vai à Nova York de 1977, assolada por blecautes e incêndios criminosos, mas também à terra da disco music e do nascimento do hip-hop – um cenário parecido com a da recentemente cancelada Vinyl, da HBO. Só que, em vez de centrar a trama em um executivo de gravadora, como a série produzida por Martin Scorsese e Mick Jagger, The Get Down acompanha jovens negros e latinos do bairro South Bronx.

A ideia surgiu na cabeça de Luhrmann dez anos atrás, quando, em um restaurante de Paris, viu uma foto de dois jovens em pose hip-hop. “Pensei: ‘Nossa, como havia tanta criatividade em Nova York naquele momento?’”, explicou o diretor em evento da Associação de Críticos de Televisão, no hotel Beverly Hilton, em Los Angeles. “Isso ficou na minha cabeça. E, depois, tentei responder a essa pergunta.” A primeira ideia foi fazer um filme, mas logo viu que a TV seria ideal para o projeto.

The Get Down aposta num elenco praticamente desconhecido – Jaden Smith, filho de Will, faz um papel pequeno, o grafiteiro Dizzee, irmão de Ra-Ra (Skylan Brooks) e Boo Boo (Tremaine Brown Jr.). Justice Smith interpreta o poeta Ezekiel, apelidado de Books, e Shameik Moore vive o DJ Shaolin Fantastic. Juntos, os cinco formam o Quarteto Fantástico + 1. Herizen Guardiola é Mylene, aspirante a cantora e interesse romântico de Books. Com produção de Grandmaster Flash, um dos DJs pioneiros do movimento, e do rapper Nas, a série mostra que os vários braços do hip-hop – música, grafite, moda – foram formas de afirmação para adolescentes numa região abandonada da cidade. “Era um lugar com tão poucos recursos, esquecido pelo mundo”, afirmou Luhrmann. “Esses jovens inventaram com o que tinham disponível. O que posso fazer com um disco? Ou posso pegar um spray e escrever meu nome lá em cima? Porque, quando vejo meu nome lá em cima, eu sou alguém.”

Segundo reportagem da Variety, a produção foi marcada por problemas, com o orçamento explodindo para cerca de US$ 120 milhões, o que a tornaria uma das séries mais caras da história. Uma temporada de Game of Thrones costuma custar metade disso. Luhrmann negou. “Não é a série mais cara de todos os tempos”, disse.

Rodada no Bronx e em outras partes de NY, The Get Down também reconstruiu pedaços da cidade em estúdio. A reconstituição de época, é impressionante. Os atores passaram por um treinamento para imersão no fim dos anos 1970. Mas o tom também é um pouco acima, pouco realista – Shaolin, por exemplo, é uma espécie de Bruce Lee do hip-hop –, como costumam ser os trabalhos de Baz Luhrmann.

 

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