John P. Johnson, HBO
John P. Johnson, HBO

‘Barry’, de Bill Hader, é comédia com crise existencial de matador

Produção da HBO é exibida aos domingos, às 23h30

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

01 Abril 2018 | 06h00

LOS ANGELES — A premissa da comédia Barry, que vai ao ar aos domingos, às 23h30 na HBO, é um pouco diferente: um matador de aluguel deprimido vai para Los Angeles para fazer um trabalho e termina numa aula de interpretação. A série criada, escrita, dirigida e protagonizada por Bill Hader (ex-Saturday Night Live), é engraçada e maluca, triste e sombria. Nem Hader sabe direito como ele e Alec Berg (Silicon Valley, Seinfeld) chegaram a essa ideia.

“Trabalhamos por um mês e meio num projeto que achávamos ótimo e então percebemos que era ruim”, disse Hader, rindo, em entrevista ao Estado em Los Angeles. “Aí eu soltei, na frustração: que tal um matador de aluguel? Berg disse que odiava essa expressão, que era besta um cara usando gravata e duas armas. Eu sugeri que fosse mais real, um ex-militar, ex-policial, alguém que teve treinamento. E de repete tivemos a ideia de ele fazer aula de interpretação. Não sei de onde veio. Berg gostou porque tinha um conflito, Barry queria estar no holofote, mas seu trabalho o obriga a atuar na sombra.”

Em Los Angeles, Barry é contratado para assassinar um aspirante a ator que se engraçou com a mulher de um mafioso. Assim ele termina numa aula de atuação. “Visitamos algumas dessas aulas e percebemos que é como terapia em grupo, as pessoas se abriam sobre seus sentimentos, suas infâncias. Barry nem consegue entender o que tem de errado com ele. Para nós é muito claro: ele assassina pessoas, e isso lhe faz mal. Mas ele não entende por que está deprimido. Barry só sabe que tem algo de errado. Só que, se ele se abrir e contar seus segredos, vai colocar os outros em perigo.” No curso de teatro, tem um instrutor linha-dura em Cousineau (Henry Winkler). “Todo ator teve um professor como ele”, disse o veterano Winkler, que estudou com Stella Adler. “Ela dava medo! E, claro, mostrava seu peito na aula, não sei por quê! E um cachorro com ela o tempo todo. Mas Stella conhecia Chekhov, todas essas pessoas, de verdade. Tive professores maravilhosos, só que excêntricos.” 

Uma das frases que Bill Hader mais usa ao falar da série é “eu me identifico com isso”. “Tentei tirar coisas da minha vida”, disse. Por exemplo, quando seu chefe Fuches (Stephen Root) lhe diz para se vender para os gângsteres que querem contratá-lo, Barry acaba indo longe demais ao sugerir esfaquear o alvo nos testículos. Até os mafiosos acham exagero. Não que Hader tenha feito nada parecido como ator, mas se inspirou em quando seu agente lhe pede ir para uma reunião e dizer tal coisa para tentar conseguir emplacar um projeto. Em outro momento, o criminoso que o contrata precisa lidar com um assunto doméstico, relacionado a suas filhas. “Todo o mundo tem outros problemas fora do trabalho”, afirmou Hader, pai de três filhas pequenas. 

Apesar de misturar crise existencial, drama e uma dose de violência, Barry é uma comédia, disse Hader. “Tem 30 minutos, então acho que é comédia. Se tivesse 45, seria drama!”, afirmou, rindo. Sua inspiração foi Atlanta, de Donald Glover. “É uma série de que gosto muito e tem tanto comédia quanto drama.” Outra influência foi o western Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood, que fala dos efeitos da violência. “Ficamos intrigados para ver se dava para fazer isso e ainda sermos engraçados”, disse Hader. “No fim, foi cozinhar: você põe um pouquinho disso, outro pouquinho daquilo, até acertar o tom.” 

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