History Channel/Divulgação
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Bandidos mais cruéis e cheios de questões

'Bonnie & Clyde' ganha versão em dois capítulos

João Fernando, O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2014 | 18h26

CIDADE DO MÉXICO - Contracenar com atores vencedores do Oscar e correr com uma metralhadora na mão não foram tarefas simples para Holliday Grainger. Escalada para protagonizar a minissérie Bonnie & Clyde, com estreia marcada para o próximo domingo, às 22 horas no History Channel, a atriz de 25 anos teve outra preocupação. "Quando recebi o papel, fiquei desesperada porque nunca havia interpretado uma norte-americana. Adoro o sotaque, mas é difícil", exagera a britânica, que precisou falar com o jeito caipira do sul dos EUA.

Inspirada no filme de mesmo nome de 1967 e nas histórias da vida real do casal de bandidos que provocou medo e admiração na década de 1930, a atração mostrará outras nuances da trajetória dos protagonistas em apenas dois episódios. Na TV, Bonnie é quem toma as decisões sobre os assaltos e Clyde (Emile Hirsch, de Na Natureza Selvagem) passa um tempo no cárcere depois de firmar a parceira com a amada.

"É a ambição dela que os leva. Ele é mais contra o sistema, quer fazer vingança na prisão. É como se Clyde estivesse contanto a história da Bonnie", disse Holliday ao Estado. Assim como no longa, Bonnie tem momentos de fraqueza, em que parece querer largar a vida de fora da lei. Porém, em seguida, atira em suas vítimas sem piedade.

"Ela fica preocupada com a imagem heroica deles dois, pois também é uma gângster. Ela vê o que faz como uma maneira de ficar famosa e acaba se esquecendo dos outros. É um roteiro diferente, ela é mais egoísta e, ao mesmo tempo, vulnerável, tenta esconder quem é", analisa Holliday. Na atração, Bonnie tem uma relação conturbada com a mãe, Emma, vivida por Holly Hunter, que ganhou um Oscar por O Piano. A criminosa tenta manter os laços, mas é rejeitada por ser bandida.

Vista há três anos de maneira mais sedutora na série Os Bórgias, em que interpreta Lucrécia, Holliday Grainger diz estar mais sensual toda coberta com os trajes dos anos 1930. "Não sou sexy usando jeans", diz. A atriz descreve a versão televisiva de Bonnie & Clyde como um romance. "É quase um conto shakespeariano sobre a violência. Para mim, é meio Romeu e Julieta e meio Thelma e Louise. É a história de um jovem casal apaixonado. Li na biografia dela que ela queria ser enterrada ao lado dele", conta.

Entre as inovações da série em relação ao longa está o comportamento de Clyde. Com jeito de machão na pele de Warren Beatty no cinema, o bandido interpretado por Hirsch na TV é mais sensível e tem sonhos premonitórios sobre seus crimes.

Convidado. Um dos personagens que ganha destaque na minissérie é Frank Hammer, policial que, no filme, arma uma emboscada para o casal. Na TV, em meio à caça à dupla de bandidos que se tornaram celebridades nos EUA, bate de frente com uma jornalista que também investiga o casal.

Dono de uma estatueta por sua atuação em O Beijo da Mulher Aranha, William Hurt dá vida ao policial, que ele define como menos sanguinário do que na telona. "Meu ponto de vista do Hammer é diferente do filme. Ele parece um cara legal, que não parecia gostar de matar. Ele procura a injustiça. Não acho que ele tenha matado (o resto da gangue de assaltantes) por ódio. Ele deveria pensar estar fazendo seu trabalho, era apenas um homem", aposta.

No longa, Bonnie e Clyde começam a assaltar no período em que os EUA viviam a Grande Depressão, fase de crise econômica. Apesar de não ter vivido aquele momento, Hurt, de 63 anos, afirma compreender os dois. "Nunca atirei em ninguém nem roubei um banco. Mas minha mãe cresceu quando a Depressão começou e criou um filho sozinha. Eu consigo identificar pessoas que viveram sob pressão", relata o ator, que diz ter boas memórias sobre o País. "Eu sinto saudade do Brasil", fala, em português.

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