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Aventura Global

Após oito anos de expedições, Lawrence Wahba transforma mil horas de gravações na série 'Reino Animal', sobre espécies de todos os continentes

Gabriel Perline - O Estado de S.Paulo,

09 de setembro de 2012 | 08h45

Viajar por todos os continentes e explorar os cinco oceanos do planeta. Essa foi a meta do documentarista Lawrence Wahba, que estreia no dia 15 a série Reino Animal, produzida em dez episódios pelo canal a cabo NatGeo. Com a chegada da câmera de filmagem em alta definição (HD), ele projetou o novo documentário enquanto ainda coletava imagens para outros programas em que trabalhava, como o quadro Domingão Aventura, exibido na TV Globo. "Fui para a Antártida fazer um trabalho para a National Geographic em 2004 e era a minha primeira expedição em HD. Foi quando surgiu a ideia de fazer um banco de imagens para algum dia fazer um programa com os animais de diversos lugares do mundo. Em todas as minhas expedições eu ia fazendo um arquivo, entrevistando personagens e edificando o projeto", diz.

Mesmo sem vender a ideia a alguma emissora e sem respaldo financeiro de empresas em seus trabalhos, Wahba investiu seu próprio dinheiro para coletar material pelo mundo. "Quando a Globo me enviou a Botswana para fazer três reportagens, juntei dinheiro para ficar dez dias a mais na África. Depois que o projeto tomou corpo, eu apresentei para a Globo e ela entrou como parceira. Todo o material que eu produzi durante os sete anos em que trabalhei no Domingão do Faustão foi cedido para esta série", explica.

Lawrence visitou 18 países. Ao contrário dos documentários exibidos atualmente nas emissoras abertas, que esmiúçam a questão biológica dos seres das variadas faunas, Reino Animal mostrará o comportamento dos bichos em seus habitats naturais e as dificuldades do documentarista em se aproximar das espécies. "Tomo bastante cuidado em não manipular os animais. Isso deseduca. Meu objetivo é mostrar o animal. As poucas situações de interações partem do próprio bicho. Nunca usei a minha força sobre nenhum deles. Procuro um contato sensível."

Em um dos episódios a serem exibidos na série, Wahba é usado como apoio a um grupo de suricatos, que sobem em sua cabeça para avistar seus predadores."Estava em Botswana, no deserto do Kalahari. Foi como se tivesse ganhado na loteria, porque o líder avistou uma raposa e deu um grito de alerta. Com isso, todos do bando subiram em mim. O guia que acompanhava a expedição e analisa o trabalho destes animais há 15 anos disse que nunca tinha visto uma situação parecida. Foi emocionante", lembra.

Sem apoio das leis de incentivo da Ancine, Wahba diz, com orgulho, que o diferencial deste programa é que a equipe envolvida nesses oito anos de trabalho é inteiramente formada por brasileiros. "Tem emissoras que exibem materiais enlatados, produzidos há mais de cinco anos, e apresentam ao público como algo novo. O Reino Animal é 100% nacional, embora tenha uma emissora estrangeira apoiando. Tem momentos de humor, tensão e bastidores. Ele tem um corte acessível a todos os públicos e não é convencional."

Para as expedições, diferentes equipes foram formadas, mas todas elas diminutas. Além de Wahba, somente um outro cinegrafista o acompanhava para registrar os momentos de interação do documentarista com os animais. "Com menos pessoas, o trabalho se torna mais discreto. Tento, se possível, parecer invisível aos animais. Se eu chegar em um jipe cheio de gente, posso perturbar os animais e provocar um comportamento diferente."

Editado pela Bossa Nova Filmes, Reino Animal conta com mais de mil horas de banco de imagens. Para selecionar 1% dos melhores momentos, a diretora Tatiana Lohmann teve apenas quatro meses. "Quando assumi o projeto, já havia uma data de estreia agendada na emissora. Foi um recorde pessoal", brinca.

Tatiana buscou uma nova identidade para imprimir neste programa e não deixá-lo semelhante ao que já existe na TV. A solução foi recorrer a uma linguagem mais "pop". "Queríamos que o público tivesse a sensação de estar viajando com o Lawrence. Foram bem-vindas as imagens tremidas, porque mostra a reação espontânea do conegrafista. Incorporamos essas coisas para parecer espontâneo, assim como as dificuldades de encontrar os bichos e os riscos que correram nas expedições."

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