Renato Rocha Miranda/ TV Globo
Renato Rocha Miranda/ TV Globo

'Avenida Brasil' foge de dicotomia entre bem e mal com mocinha justiceira

Personagem de Débora Falabella na nova trama das 9 da TV Globo é como Robin Wood, diz autor

Maiara Camargo - Jornal da Tarde,

26 de março de 2012 | 10h41

Em A Favorita (2008), o espectador se viu diante de duas mulheres, Donatela (Claudia Raia) e Flora (Patrícia Pillar), sem saber para qual delas deveria torcer – uma verdadeira inovação no universo normalmente preto e branco dos folhetins. Foram três meses de mistério até que o autor da trama, João Emanuel Carneiro, desvendasse a vilania de Flora. No entanto, a ideia de ver o público apoiar um personagem que comete atrocidades seguiu viva na cabeça do autor, que estreia hoje sua quarta novela, a segunda no horário das 9, Avenida Brasil.

 

Com a vingança mais uma vez como mote, a trama seguirá os passos de Nina, personagem da atriz Débora Falabella, na saga por justiça. Mas, antes de Nina, o espectador conhecerá Rita, de 11 anos, papel da atriz-mirim Mel Maia. Filha de Genésio (Tony Ramos), Rita descobre que Carminha, interpretada por Adriana Esteves, planeja golpe contra o seu pai. Ela alerta Genésio, mas ele acaba morto em um atropelamento, deixando a menina órfã e abrindo espaço para sua madrasta herdar tudo o que era de seu pai.

 

Para se livrar de vez de Rita, Carminha pede que Max (Marcelo Novaes), seu amante e comparsa, abandone a criança em um lixão, o mesmo onde ela mesmo foi largada, anos atrás. Para a atriz, sua vilã é, antes de tudo, uma sobrevivente. "É preciso ter cuidado com os sobreviventes. Ela está exigindo muito de mim, mas estou adorando", diz Adriana Esteves.

 

No lixão, Rita conta com o afeto de Lucinda (Vera Holtz) e a amizade do menino Batata (Bernardo Simões), mas em pouco tempo é adotada por uma família da Argentina, para onde parte com novo nome: Nina. Porém, a vida feliz que Nina constrói no país vizinho não é suficiente para fazer com que ela esqueça das maldades de sua ex-madrasta. Então, após a morte do pai adotivo, Nina volta ao Rio com o intuito de se vingar.

 

João Emanuel confirma que sua inspiração foi mesmo Flora, mas Nina ganha agora o trunfo de sair da linha por uma boa causa. "Como ela é a heroína, suas ações são justificadas", disse o novelista, durante a festa de lançamento do folhetim. Com isso, o autor foge da dicotomia entre bem e mal, além de escapar do estigma de mocinha chata. "Ela tem um pouco de Robin Wood, de Charles Bronson em Desejo de Matar", diz o novelista, que já comparou Nina ao protagonista de Crime e Castigo, Raskolnikov, do russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881).

 

No entanto, a trama mais tensa de Nina versus Carminha será rodeada por personagens mais coloridos, que serão responsáveis pelo lado bem-humorado da novela que faz referência, em seu nome, à via que corta quase todo o subúrbio carioca. Esse subúrbio, aliás, ganhou um bairro fictício onde a trama vai se desenrolar, o Divino, que também dá nome ao time de futebol local.

 

Embora o autor negue que o cenário do folhetim tenha sido encomendado, ele vem de encontro ao desejo da emissora de agradar o emergente espectador da classe C. Ao contrário da última leva de novelas, que giraram em torno de ricos em bairros abastados, os endinheirados de Avenida Brasil são suburbanos que subiram na vida mas não deixaram sua área. O grande exemplo é a família do ex-jogador de futebol Tufão (Murilo Benício), que inclui Carminha. Depois de viúva, ela se casa com o jogador. Completam a trama o filho adotivo do casal, Jorginho (Cauã Reymond), e os pais do atleta, Leleco (Marcos Caruso) e Muricy (Eliane Giardini).

 

Outro núcleo cheio de conflitos que deve disputar audiência é o de Cadinho, personagem de Alexandre Borges. Ele se divide entre dois casamentos, e ainda se envolve com uma terceira, uma amante, e faz todo tipo de trapalhada para manter os relacionamentos.

Ricardo Waddington, diretor de núcleo, espera que a história seja abrangente. "Se Deus quiser, vamos falar com classes A, B, C."

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