Atores de Doctor Who falam sobre a nova temporada da série

Estreia é neste sábado na BBC HD, às 20h

João Fernando, O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2014 | 17h41

RIO - O tempo de vida de Doctor Who é de 2 mil anos, mas o rosto é de um homem de 56 na nova temporada da longeva série britânica, que estreia sábado, às 20 horas, na BBC HD.  Na atração, no ar desde 1963 - com intervalo de 1989 a 2005 - o rosto do protagonista costuma mudar de tempos em tempos. Desta vez, o personagem-título, um alienígena com feições humanas que viaja pelo tempo resolvendo confusões na Terra,  ficou a cargo de Peter Capaldi.

Fã do programa desde os 5 anos, o ator, que substitui o colega Matt Smith, há três anos no cargo, já havia se recusado a entrar na fila para o papel de seus sonhos. "Há muitos anos, me chamaram para um teste quando o Paul McGann (1996) fez e eu disse não. Havia um monte de atores e eu tinha certeza que não ia conseguir. Desta vez, eu sabia por que haviam me convidado. Agora, havia outros sendo testados, mas disso eu não sabia", disse ao Estado em sua passagem pelo Rio para divulgar a série.

Mesmo com o ar de mais tranquilo, ele diz ter feito o teste com muita insegurança. "Eu não estava confiante. Foi o pior Doctor Who que poderia ter feito na vida. Fiquei uma hora lá colocando meu coração para fora", exagera.  Vencedor de dois troféus Bafta, o mais importante prêmio para atores no Reino Unido e de um Oscar pela direção do curta Franz Kafka's It's a Beautiful Life , o escocês tem um carinho especial pelo novo trabalho.

"É um papel que amo. É diferente de dizer que será um desafio ou que eu precise me desdobrar. Eu cresci com ele. É como voltar para casa. Ao mesmo tempo, é difícil porque é uma grande responsabilidade. Eu nunca relaxo, pois isso seria errado", analisa. Segundo ele, há um empenho da equipe. "As pessoas amam. Todo mundo, até quem está por trás das câmeras, trabalha mais do que deveria para ficar bonito. Dá para ver o que coração está lá. Parece que a série custa muito caro, mas não é isso tudo. ", confessa.

A nova fase começa com Doctor Who chegando à Londres do período vitoriano, deparando-se com um dinossauro no Rio Tâmisa e estranhas explosões. Apesar de dar continuidade à saga, o produtor e roteirista da atração Steven Moffat afirma que tudo se renova. "Não queremos que seja um tributo ao passado nem um exercício da nostalgia. Não vejo (a memória afetiva o público) como um problema. Quero que a pessoa comece a assistir a partir da oitava temporada e sinta que é um programa novo", aposta o showrunner, também responsável pela série Sherlock.

No começo deste ano, parte dos roteiros vazou na internet. "No tempo em que vivemos, é quase impossível manter o segredo. Sempre tem alguém com uma câmera por aí.", avalia Moffat, que não alterou a história nem as gravações. "Seria insano. O número de pessoas que tiveram acesso é ínfimo em relação ao das que assistem. E divulgar esses episódios é um desrespeito", critica.

Apesar da nova cara do Doctor, sua assistente Clara continua sendo interpretada por Jenna Coleman. A atriz acredita que o novo companheiro não age como o antigo. "Ele não é tão aberto nem paciente", conta.  Ela nega que possa haver um romance entre eles. "Há um amor, mas ele são melhores amigos. Eles se provocam e riem. Não sei qual é a palavra, mas quando você está salvando o mundo a cada semana está em uma situação única."

Sem pinta de galã, Capaldi crê que o personagem atrai as pessoas pelas aventuras. "É uma ideia de escape, pois a vida é difícil. Ele aparece como mágica e pode te tirar de casa para te mostrar o espaço. Há uma tristeza que ele carrega, mas ele renasce. É um super-herói muito humano", palpita. Se tivesse a chance de passear pelo tempo, como  Doctor Who, o ator sabe o que mudaria nas história. "Eu pararia as guerras. Mas como vamos fazer isso? Acho que não podemos."

* O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA BBC

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