Benjamin Norman/The New York Times
Benjamin Norman/The New York Times

Ator Neil Patrick Harris fala sobre a carreira após 'Desventuras em Série'

Atuações como o Conde Olaf e Barney, de 'How I Met Your Mother', renderam reconhecimento ao ator

Kathryn Shattuck , The New York Times

20 Maio 2018 | 19h36

Como o malvado Conde Olaf, que não tem muita higiene e tem um nariz aquilino em Desventuras em Série, Neil Patrick Harris pode facilmente ser um motivo de pesadelo – seu e de seus filhos. Afinal, Desventuras em Série, em que ele continuamente põe em perigo os órfãos Baudelaire – Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Hynes) e Sunny (Presley Smith) – querendo se apossar da herança deles, não é uma dinâmica familiar normal.

+++Série 'Scandal' chega ao final deixando legado de inclusão

Mas a malvadeza e a perversidade são surpreendentemente divertidas. “Estamos longe de ser amigos, mas me agrada a ideia de uma criança de 10 anos e um adulto de 40 assistirem à mesma cena e desfrutarem do que estão vendo por motivos diferentes”, diz ele, referindo-se à linguagem e temática da série. “A sensação é que estamos fazendo algo que, dentro da sua imundície e cinismo, é bom.”

Baseada nos romances maravilhosamente macabros de Daniel Handler, conhecido por seu heterônimo Lemony Snicket, a série, cuja segunda temporada começou na Netflix, deve terminar depois da terceira, com o último da coleção de 13 livros. O que dará a Harris, 44 anos, uma indicação múltipla para o Emmy como o sedutor Barney, na série da CBS How I Met Your Mother e um prêmio Tony como o transgênero roqueiro alemão em Hedwig – Rock, Amor e Traição – mais tempo para ficar com sua família: seu marido David Burtka e seus dois filhos de 7 anos, Gideon e Harper, que vivem em Nova York enquanto ele filma em Vancouver.

+++Amazon produzirá série sobre a vida de Maradona

E os gêmeos têm permissão para assistir a seu pai no trabalho. “Não é o conteúdo perfeito, pois é bem sinistro – muitas crianças recebendo tapas e pessoas fumando e tentativas de assassinar adolescentes”, disse ele. “Não sei se essa seria uma conversa para se ter na hora do jantar, mas para nós é um pouco diferente.”

+++Confira 15 séries que foram canceladas; algumas tentam reverter decisão

Abaixo alguns trechos da conversa com Neil Patrick Harris.

Em que ponto estamos no caso das atribulações de Baudelaire?

As crianças ainda estão tentando fugir do Conde Olaf e a única diferença é que ambos cresceram cerca de 7 cm e rapidamente notamos como estão mais altos. E há mais ação. Os Baudelaires, nos primeiros livros, vão de um local para outro, de um protetor para outro, e nesse ponto percebem que estão sós no mundo e têm de se safar de Olaf e ficar unidos.

Você está irreconhecível como Olaf. Quanto tempo gasta na maquiagem?

Duas horas e meia. Começo na seção de maquiagem de efeitos especiais, onde coloco as próteses. Tenho uma grande peça na frente do rosto que cobre minhas sobrancelhas e um nariz que se prolonga, e então eles o pintam para ficar no tom da minha pele. São feitos os retoques, colocando as rugas e as manchas, as bolsas sob os olhos. Depois colocam uma sobrancelha única, que cobre as duas costeletas, uma barbicha e uma peruca. Por fim, visto a roupa e estou pronto.

Ufa!

Todo esse tempo para me transformar em Olaf é pouco se comparado com o trabalho que Louis e Malina têm. Estão no set, ensaiando suas cenas, aprendendo os diálogos, e depois correm para a escola. Logo alguém bate na porta, eles param seus estudos e voltam a recitar os diálogos. Isso se repete o dia todo.

Recentemente você alugou um cinema em Albuquerque, sua cidade natal, onde os moradores agora podem ver Love Simon gratuitamente.

É um filme sobre um aluno gay que tem medo de sair do armário e se apaixonar, que me comove pela pureza. Não é como Brokeback Mountain, tem a ver mais com Sixteen Candles. Consegui 111 pessoas para ver o filme e espero que elas tenham se comovido e convidado seus amigos para vê-lo também.

Você também apresenta na NBC o programa Genius Junior.

Ele trata de crianças que fazem coisas extraordinárias, que conseguem soletrar e lembrar as cartas misturadas de um baralho. Se for possível despertar aspirações e inspirar outras crianças e também entreter, então fico feliz em ser o mestre de cerimônia desse circo.

Isso dá vontade de ir para casa e fazer perguntas para Harper e Gideon?

Tive que me converter nesse tipo de pai que quer que eles reconheçam que a leitura, a escrita não são algo que fazem por uma hora para depois ir brincar. Estou sempre em cima deles para que soletrem certo. Está na hora. / Tradução de Terezinha Martino

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.