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Até Drácula tem crises existenciais

Série mostra origem do vampiro criado por Bram Stoker, que não aceita bem o fato de ter se tornado um imortal

João Fernando, O Estado de S. Paulo

21 de março de 2014 | 23h36

Um vampiro que tenta tirar os humanos das trevas parece estar em crise. E está. Enquanto põe em prática seu plano de vingança, disfarçado de empresário que negocia distribuição de energia elétrica na Londres do século 18, Alexander Grayson (Jonathan Rhys Meyers), protagonista da série Drácula, trata de questões internas.

"De uma certa maneira, ele odeia a si mesmo, odeia o fato de ser imortal. Quando você pensa na imortalidade, parece algo que causa empatia. Porém, depois de um dia inteiro, será que algum de nós gostaria realmente de ter isso?", indaga Tony Krantz, produtor executivo da série, exibida todas as quintas, às 22 horas, no Universal Channel. Integrante da organização Ordem do Dragão em sua época de guerreiro, Alexander foi amaldiçoado a viver para sempre após se dar mal em uma batalha na era medieval.

Por conta da situação, ele passa séculos preso em um sarcófago até o momento em que o professor de medicina Abraham van Helsing (Thomas Kretschmann) mata um arqueólogo e usa o sangue da vítima para despertar o vampiro. Juntos, os dois vão se vingar de quem ainda pertence à Ordem do Dragão. Os únicos momentos doces do protagonista são os encontros com a jovem Mina (Jessica De Gouw), que ele descobre ser a reencarnação de sua amada, Ilona, assassinada pela organização.

"A maneira de humanizar Drácula foi dar a ele a origem omitida nos livros de Bram Stoker", conta o criador da série, Cole Haddon, citando o escritor irlandês que popularizou os vampiros na literatura no século 19. "Ele perdeu sua humanidade de maneira trágica. Porém, quando vê Mina, percebe que pode fazer as coisas de um jeito mais generoso. Até em seu negócio. Levar energia elétrica para as pessoas é parte de um altruísmo para mostrar que ele não é um monstro", filosofa Krantz, produtor de filmes como Cidade dos Sonhos, de David Lynch.

O fato de Alexander trabalhar com distribuição de energia elétrica tem a ver com a impossibilidade de ficar exposto à luz solar, problema recorrente de vampiros em livros e filmes. Com a luz artificial, ele pode agir com tranquilidade. A característica foi uma das opções dos produtores, que mantiveram parte da tradição desse tipo de história. "Claro que ele tem aversão a crucifixos. Eles não o destroem, mas o deixam cego. Se ele for ferido com uma estaca no coração, não vai morrer, mas ficará paralisado. A única maneira de matá-lo é expô-lo à luz solar", explica Daniel Knauf, também produtor executivo.

O profissional diz que a reconstituição de época foi uma das prioridades. Entretanto, há um toque de modernidade. "No período vitoriano, os estilos eram específicos. Temos elementos de David Lynch e Tim Burton. Se o Alexander McQueen (estilista morto em 2010) estivesse vivo, seria o responsável pelo figurino", afirma Knauf.

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