'As relações hoje são em pacotes'

Basta a roteirista Lícia Manzo fazer qualquer comentário sobre o projeto do seriado Tudo Novo de Novo para que a pessoa ao seu lado comece a contar uma história - sua ou de algum conhecido - sobre a família que se monta a partir de pacotes. "Quando terminei a apresentação do projeto numa reunião da Globo, em 2005, várias pessoas estavam esperando para falar comigo - ?olha, eu tenho um enteado...?", observa ela.

O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2009 | 22h22

A identificação com o público é a grande aposta do seriado, segundo Lícia, que estreia como autora principal após dez anos colaborando com outros autores da emissora. Nesta entrevista, ela reflete sobre as filhas de Malu Mulher.

O que a fez imaginar que essa nova configuração familiar poderia ser num seriado de TV?

Tive essa ideia em 2005. Pensei que, historicamente, tivemos o Malu Mulher, em 80, sobre a mulher que se divorciava; dez anos depois, o Mulher, onde a Patrícia Pillar era uma mulher totalmente devotada à profissão. Agora, percebi que é a hora de falar sobre a mulher que convive com essa equação, acumulando profissão e filhos. Há uma grande possibilidade de situações, cômicas inclusive, nesse ambiente onde o divórcio está completamente instaurado. Hoje, é natural o trânsito de crianças pra lá e pra cá. São crianças de vários sobrenomes, vivendo sob o mesmo teto.

A associação com Malu Mulher é inevitável. Você faz um paralelo entre os dois seriados?

Não é uma comparação direta. Talvez a nossa série seja um pouco mais cômica. Usamos humor com drama, para falar sobre pessoas que tentam acertar amorosamente.

A leveza vem do fato de que na época da Malu o divórcio era um trauma e, agora, é encarado com maior naturalidade?

Em termos de tema e conteúdo, mostramos além do Malu Mulher, que era mais em cima do divórcio. No Tudo Novo..., é sobre como os que passaram por um divórcio - às vezes mais do que um - vão se relacionar. O recomeço não é tão simples, ainda mais com filhos. Você conhece um cara e pensa "Ok, ele combina comigo. Mas será que combina com a minha filha? Será que a filha dele combina com a minha?". Hoje, as pessoas se relacionam em pacotes, ninguém mais é zero quilômetro. O tema do seriado é a dificuldade de equacionar tantos fios que foram puxados.

Tudo é visto sob a perspectiva feminina?

Não, é equilibrado. Começamos com o homem e a mulher que se conhecem, vamos abrindo para os filhos e, depois, para o balaio de gente que está em volta deles. A graça da série está nessa configuração confusa.

Mesmo assim, o senso comum diz que a separação é mais fácil para o homem do que para a mulher. Como construiu o personagem do Marco Ricca, o Miguel?

É que é difícil você encontrar no universo masculino uma correlação de mudança histórica entre o que aconteceu com a mulher nestes últimos anos. Ele é um bom cara, assim como ela é uma mulher bacana. A vida do Miguel é complicada porque ele se separou de uma mulher bastante difícil, é um peso, porque depende financeiramente dele e acaba manipulando a filha dos dois (Júlia/ Polliana Aleixo).

É, situação bastante comum...

Ah, gosto do comum. Me conte uma história bem comum, que vou gostar (risos). P.V.

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