Juan Guerra/AE
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‘As pessoas acham que fama significa ser melhor’

No papel de uma deslumbrada em Sangue Bom, Marisa Orth afirma que não se sente como uma celebridade

João Fernando, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2013 | 20h00

Enquanto os personagens de Sangue Bom, nova novela das 7, que estreia nesta segunda-feira, 29, dão duro para pagar as contas, Damaris, vivida por Marisa Orth, será vista na maior vida mansa. "Ela vive de peruagem, já apareceu fazendo ginástica e massagem", conta a atriz, há sete anos sem participar de um folhetim.

Na trama, ela encara a herdeira de um parque de diversões que passa os dias tentando recuperar o amor do ex-marido, Wilson (Marco Ricca), e imita todas as namoradas que ele conquista a cada capítulo. "Quando ele estava de caso com a Mulher Mangaba (Ellen Roche), uma mulher fruta, ela aprende funk. Faz várias tentativas de suicídio, é patética. Ela também funda uma religião para a classe AA, mas só vai o pessoal da D e E."

Uma das marcas de Damaris são os exageros. "Ela berra no meio da rua, trata mal os empregados. Mas, depois, os chama porque quer conversar e é carente. Ela é rica e grossa no sentido de que os pais nunca investiram em cultura. É aquela que quer ser VIP, extremamente consumista. Aquilo de bom que a burguesia, às vezes, traz", analisa.

A atriz afirma ir na contramão da personagem, que quer mostrar status. "O mundo inteiro passa por isso. Tem gente que diz que o bom é ser celebridade. Eu quase bati num motorista de táxi quando ainda estava fazendo teatro e começando a novela. Ele falou que o bom é ser celebridade. É uma barra-pesada de trabalho. As pessoas realmente acreditam que quem é famoso por causa do trabalho não trabalha. Então, as pessoas querem ser celebridades, acham que a fama significa ser melhor."

Marisa se impressiona com os artistas que levam a fama a sério. "Vejo gente entrando no mercado de entretenimento com quatro assessores. Eu nunca tive assessor de imprensa pessoal. Não sei muito para o que serve. Já tem da novela. Os produtos que eu vendo, como peça, já têm divulgação. Eu, Marisa, estou vendendo o quê? Minha imagem? Eu trabalho com a imagem dos papéis que faço, é um ofício ser atriz. Os atores sérios sabem disso, no resto do dia somos normais, como um açougueiro ou uma manicure."

Na TV há mais de 20 anos, Marisa, de 49, diz não entender o que é uma celebridade. "Nem semanticamente. Parece um particípio do passado ou um gerúndio. Célebres serão poucos no mundo. Eu também não gosto do termo pessoa pública. Público é biblioteca, banheiro."

Ao estourar em Rainha da Sucata (1990), a atriz explica que foi difícil lidar com o fato de ser reconhecida. "Não vou dizer que não tenha deformações. Já devo estar corrompida. Mas eu me assustei mais do que me deslumbrei. Entendo quem tem síndrome do pânico. Você vira diferente do resto. Sua cara provoca reações que três dias antes não provocava. Parece um pesadelo, em que todo mundo tomou uma droga e não te deram."

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