Paulo Belote/TV Globo
Paulo Belote/TV Globo

As derradeiras aventuras da 'Grande Família' são lançadas em DVD

Caixa com quatro discos traz a 14ª e última temporada de um dos programas mais queridos da televisão brasileira

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2015 | 02h09

Foram 14 anos no ar de absoluto sucesso - o seriado A Grande Família tornou-se um dos principais programas da Globo, encerrando sua vitoriosa carreira em setembro do ano passado. A família Silva, integrada por Lineu (Marco Nanini), Nenê (Marieta Severo), Tuco (Lúcio Mauro Filho), Bebel (Guta Stresser) e Agostinho (Pedro Cardoso), tornou-se referência e suas aventuras retrataram os apuros de inúmeras famílias brasileiras.

Por conta disso, a Globo nem esperou muito tempo para lançar em DVD (R$ 99) a última temporada da série. Trata-se de uma caixa com quatro discos, nos quais estão 20 episódios, especialmente o último, gran finale, em que a metalinguagem dominou: atores famosos são convidados pelo diretor Daniel Filho para representarem a família Silva, que acompanha atentamente as gravações. Ao final, uma constatação óbvia: só existe uma família Silva. Como extra, o making of desse último capítulo.

Segundo Guta Stresser, o segredo da longevidade do seriado foi justamente o de não ter uma fórmula fixa. "A gente deixava surpreender pelas próprias mudanças que o tempo impõe e pela constante renovação na autoria dos textos", comenta. Ela também não viu como ponto final o último episódio, abrindo uma possibilidade de A Grande Família retornar, ainda que de forma especial. "Teríamos o maior prazer em nos reunir para um projeto pontual, como um filme ou um especial. Certamente esse tema é inesgotável, então quem sabe um remake com outros atores no futuro?".

Sobre essa possibilidade (da qual discorda) e também sobre os motivos que explicam o sucesso da série, o roteirista Claudio Paiva, que coordenava o texto final, respondeu, por e-mail, as seguintes perguntas.

Quais as qualidades do seriado que mais agradaram ao público a fim de mantê-lo no ar durante tanto tempo?

Histórias em torno de um núcleo familiar, onde os conflitos são resolvidos sob a ótica do afeto, tem um apelo muito forte para as pessoas. Quem não gostaria de ter uma família que lhe ajudasse quando os problemas aparecem?

Com exceção de algumas malandragens do Agostinho, os membros da família apresentavam bons exemplos de conduta. Com os vilões muitas vezes dominando a dramaturgia da TV hoje em dia, era isso que cativava o público?

Não acredito nisso, não. Agostinho era um vilão e era adorado pelo público. As pessoas se identificam com os heróis, mas também veem suas falhas nos vilões.

Nenê e Lineu se separaram durante uma temporada e muita gente não aprovou a crise. O roteiro podia falar sobre tudo ou alguns temas sofriam rejeição?

Foram 14 anos no ar e não dá para acertar tudo. É claro que algumas histórias eram mais queridas e outras, nem tanto.

Você vê a possibilidade de A Grande Família voltar no futuro? Afinal, essa formação já foi um resgate de um programa dos anos 1970 e a família é um tema sempre presente, não?

A Grande Família voltou na hora certa porque o País vivia um momento otimista. Lineu era um funcionário público honesto. Nesses 14 anos, as coisas mudaram muito. Não acho que hoje em dia, do jeito que andam as coisas, um núcleo familiar seja a melhor plataforma para se contar uma história.

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