'As câmeras não mordem'

Dr. Robert Rey. o cirurgião queridinho em Hollywood conta como lida com a exposição de sua vida

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2009 | 16h00

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Astro de TV desde 2004, ano que estreou seu reality show Dr. 90210, doutor Robert Rey subverte a imagem do médico convencional. Trajado com avental preto que deixa os bíceps à mostra, o cirurgião brasileiro mais famoso de Hollywood não se importa de ter câmeras 24 horas por dia em sua casa nem de malhar minutos antes das cirurgias para deixar o corpo musculoso. A estratégia dá certo. Seu programa é um dos mais vistos do canal pago E! e, sob o nome Dr. Hollywood, é a terceira audiência da RedeTV!, emissora onde estreia hoje, às 23h15, a 2ª temporada da atração.

 

Ao surgir no lobby do hotel em São Paulo onde falou ao Estado – de terno Armani, regata justinha e sapatos brancos de verniz –, dr. Rey trazia duas malas Louis Vuitton. Dentro delas, nenhuma roupa, mas os produtos que anunciará em breve em um programa de televendas – motivo de sua visita ao Brasil no último mês.

 

Nos 30 minutos iniciais da hora reservada para nossa entrevista, difícil foi engatar uma pergunta. Empolgado com sua nova linha de cintas modeladoras, o doutor sacava da mala cada peça para explicar seus benefícios, como se estivesse em um merchandising. Das malas, também tirava alguns aparelhos de trabalho, como prótese de silicone para bumbum, um aparelho de 30 centímetros para lipoaspiração e um álbum com fotos do antes e depois de suas cirurgias.

 

Durante o papo, o excêntrico médico – que deixou o Brasil aos 12 anos, foi criado por mórmons nos Estados Unidos e estudou Políticas Públicas em Harvard – falou sobre planos de ter um talk show no País (comercializado pela Polishop), além de contar por que não liga para dinheiro.

 

Algum conflito que aparece no reality é armado, como as brigas com sua mulher?

Não, confesso que de vez em quando é exagerado. Mas é verdade que eu não gosto da minha sogra (risos).

 

Como é, para os seus filhos (de 9 e 5 anos), crescerem com câmeras em casa?

As câmeras não mordem. No planeta onde eles vivem (em Beverly Hills), cada esquina tem uma câmera. E os colegas de escola deles são os filhos da Demi Moore, da Sharon Stone, da Jodie Foster. A minha filha até quer ser atriz. E acho que câmeras ensinam a ter liderança. Quando fazia escola de governo em Harvard, tínhamos a câmera sempre ligada.

 

Não é ruim tamanha exposição da vida particular na TV?

Ruim? Nunca teria sido essa celebridade sem esse programa. Hoje participo de ONGs no mundo inteiro. Sou o Dr. Robin Hood, que ‘rouba’ dos riquinhos para dar aos mais pobres. ‘Roubo’ de gente que faz uma viagem de 13 horas, paga hotel e US$ 5 mil só por uma consulta de meia hora comigo.

 

Quanto do que você ganha vai para a caridade?

Não sei nem quanto ganho (risos). Sei que é bom porque dirijo um carro italiano. Por ano, ajudo três ONGs enormes. Mando US$ 100 mil por ano para minha família.Você não vai acreditar, mas não tenho interesse em dinheiro. Eu só faço duas coisas: sorrio na TV e deixo o corpinho lindo.

 

Você não liga para dinheiro, mas mora em Beverly Hills, dirige carro italiano, veste-se com as melhores marcas...

No Brasil, até os homens mais ricos dirigem os carros mais simples. Nos EUA é o oposto. Se o paciente chega na minha clínica e estou dirigindo um Fusca, ele sai correndo. É preciso parecer bem-sucedido.

 

Você voltou mesmo a se relacionar com seu pai (em um dos episódios, Dr. Rey retomou contato com o pai, com quem havia brigado na infância)?

Sim. Eu o visito e o apoio financeiramente. Não sou muito ligado a minha mãe. Ela vive uma escravidão interna, não tem autoestima.

 

Como assim?

Ela era faxineira nos EUA. Um dia falei que queria ir para Harvard e ela falou: "Menino pobre não vai para Harvard." Falei que ia ser cirurgião plástico e ela disse o mesmo. Mas acho que com esforço, todo mundo consegue vencer.

 

E uma dose de sorte também.

Sorte é a preparação que encontra a oportunidade. Você cria sua sorte.

 

Muitos médicos o criticam pelo seu jeito de ser, de se expor.

Moisés foi criticado por 40 anos, penduraram Jesus na cruz. Passei anos deprimentes. Então, quando chegam na minha clínica, quero ter o melhor aspecto. Sou um artista, e artista gosta de cor.

 

Um médico o criticou na imprensa americana por você malhar pouco antes das cirurgias, alegando que isso faria a mão tremer.

Foi um cirurgião plástico bem bunda-mole quem falou isso. Encontrei com ele e disse: "Sou brasileiro, meu filho. Vou te dar um soco e depois mostro como minha mão não treme." Tenho duas faixas pretas e luto jiu-jítsu Gracie.

 

Ainda tem planos de virar político nos Estados Unidos?

Fiz meu mestrado em Harvard em Política Pública. Queria ser uma voz para o povo latino nos EUA. Mas fiquei muito deprimido com a política americana. Então, comecei a pensar: "Por que não o Brasil?"

 

Pensa em se candidatar por aqui, então?

Primeiro, quero ter um programa de TV bem bom aqui, que alcance bastante público, um talk show. E quero fazer mais algumas ONGs. Ser político é plano para quando eu tiver uns 60 anos. Acho que o (Fernando) Collor teve seus problemas, mas abriu o Brasil para o exterior. E um brasileiro que estudou no exterior pode ajudar o Brasil. Como eu sou amigo dos diplomatas americanos, conheci o Bush... Ficaria mais fácil para alcançar os alvos para o Brasil no exterior.

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