Aos herdeiros de Malu Mulher

Cotidiano da família brasileira moderna é o tema da série Tudo Novo de Novo, da Globo

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2009 | 22h22

Há uma piada capciosa, e desoladora em certos casos, que diz que não existe ex-cunhado - ou seja, cunhado é para sempre. Mas e ex-sogra, existe? Ex-enteado? Ex-irmão?

Desde a regulamentação do divórcio, em 1977, as famílias brasileiras se desfazem e se refazem. Se há menos trauma do que na época do seriado Malu Mulher (1979), os descasamentos e novos casamentos não acontecem sem deixar várias pontas soltas, que resultam em famílias de estrutura única. É sobre essas pontas - filhos de vários casamentos morando numa mesma casa, alta concentração de sogras por metro quadrado, ex-maridos e ex-mulheres buscando a convivência possível - que fala o seriado Tudo Novo de Novo, que estreia dia 17 na Globo.

Criado e escrito pela estreante Lícia Manzo (com supervisão de Maria Adelaide Amaral), e dirigido por Denise Saraceni, Tudo Novo de Novo tem Júlia Lemmertz e Marco Ricca nos papéis de Clara e Miguel, uma arquiteta e um engenheiro que se conhecem na obra de uma casa. "A relação com Malu Mulher é muito forte, e eu fico muito feliz em dizer isso", observa Denise. "É como se a gente partisse daquela mulher que surgia no final dos anos 70, para falar das famílias que foram formadas a partir dela."

A metáfora da construção é evidente na história dos dois personagens, que vão reconstruir a vida juntos com três separações na bagagem - duas dela e uma dele. "A Clara é agitada, trabalhadora, cuida dos filhos, é esse tipo de mulher moderna que acumula vários papéis", explica Júlia, nos bastidores de gravação da série, nos estúdios da Globo (Projac), visitados pela reportagem do Estado na semana passada. "Ela acabou de sair do segundo casamento, nem está pensando em conhecer alguém, mas encontra o personagem do Marco (Miguel) e vê uma possibilidade de amar de novo. Daí, é sobre isso, sobre como essas duas famílias se juntam."

Nesse contexto da família que se compõe "em pacotes", ou seja, do recorte de relacionamentos anteriores, as configurações são infinitas e as possibilidades, mil - prato cheio para os roteiristas.

Até "luta de classes" dentro de casa a protagonista enfrenta. "Ela tem dois filhos, Carol (Daniela Piepszyk) e Léo (Matheus Gabriel), um com cada pai. O Fred (Marcelo Spektor), pai da primeira, é workaholic e compensa a ausência com presentes caros. Mas o pai do segundo, o Paulo (Guilherme Fontes), é meio acomodado, daquele tipo que deixa tudo nas mãos da ex-mulher, meio duro. Isso cria uma situação delicada na casa deles", exemplifica a autora. "O que você faz? Diz para o primeiro ex que não pode dar presente? Não há manual de conduta para isso."

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