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Aos 9 anos, Brooklynn Prince é o destaque de 'Home Before Dark'

A série é baseada na história real da repórter mirim Hilde Lysiak

Mariane Morisawa ESPECIAL PARA O ESTADO LOS ANGELES , O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2020 | 05h00

Aos 9 anos de idade, Brooklynn Prince é a principal razão para assistir a Home Before Dark, no ar no serviço de streaming Apple TV+. A menininha fofa que encantou o mundo em suas aparições em tapetes vermelhos mundo afora e que assombrou com seu talento no filme Projeto Flórida (2017), de Sean Baker, continua uma graça e é uma baita de uma atriz. Na série, baseada na história real da repórter mirim Hilde Lysiak e produzida por John M. Chu (Podres de Ricos), que também dirigiu os dois primeiros episódios, Brooklynn interpreta Hilde Lisko. 

A menina é obrigada a deixar o Brooklyn, em Nova York, e mudar-se para a pequena cidade onde seu pai Matty (Jim Sturgess) foi criado depois de ele ser demitido do jornal onde trabalhava. Acostumada a fazer um jornalzinho com suas reportagens, Hilde, de cara, topa com a morte suspeita de Penny (Sharon Taylor), amiga de infância de seu pai. Sua matéria coloca a família sob o holofote, trazendo de volta fantasmas do passado – Matty deixou Erie Harbor prometendo jamais voltar depois de ser testemunha do sequestro de seu melhor amigo, Richie, que acabou assassinado. 

Mas Brooklynn Prince não é o único motivo para dar uma chance à série. Uma das coisas mais bacanas é mostrar o ponto de vista dos pequenos – Home Before Dark tem um quê dos filmes envolvendo crianças dos anos 1980, como Conta Comigo.

“Para mim, o que se destacou foi justamente que a série foca o que Hilde é capaz de fazer e como ela reage quando os adultos dizem não a ela. Porque eu me sinto da mesma forma”, contou Brooklynn em entrevista ao Estado, em Los Angeles. “Porque eu ajo da mesma forma quando alguém me diz ‘não’, eu continuo em frente, mesmo quando estou um pouco magoada. Normalmente, em filmes e séries as crianças são pano de fundo, são o alívio cômico, e aqui somos protagonistas de um drama.” 

Hilde fala de sua própria experiência reportando um assassinato. “Ninguém na cidade achava que eu deveria estar fazendo matérias, diziam que deveria brincar com bonecas. Então, fiz um vídeo lendo todos os comentários maldosos.” 

A própria Brooklynn, muitas vezes, se sente deixada de lado por ser uma menina de 9 anos. “Tem gente que acha que sou apenas uma coisa fofa que precisa ser cuidada. Não acham que sou uma pessoa de verdade, mas eu vou crescer e virar adulta. Somos só menorzinhos por enquanto.” 

Os produtores e seu colega de elenco Jim Sturgess são os primeiros a elogiar o compromisso com o trabalho da jovem atriz. “Foi muito inspirador trabalhar com ela”, disse a produtora Dana Fox. “Três dias depois de terminarmos de gravar a primeira temporada, a mãe dela me ligou e disse que Brooklynn queria voltar ao trabalho, que sentia falta do set e do Jim.” 

Sturgess estabeleceu de cara uma boa relação com a atriz que interpreta sua filha do meio – seu personagem tem mais duas meninas, a adolescente Izzy (Kylie Rogers) e a pequena Ginny (Mila Morgan), com sua mulher (Abby Miller). “A série para mim é muito sobre paternidade”, disse o ator inglês. “E eu estou na idade em que isso se torna muito presente na cabeça, você pensa muito na sua infância e no seu pai, no tipo de pai que ele era e no pai que eu gostaria de ser. Eu já tinha interpretado pais antes, mas as crianças eram acessórios. Aqui, o relacionamento entre pai e filha com minha amiga B. é central, o que foi muito empolgante e inédito para mim.” Nos intervalos, os dois jogavam High School Crush e cantavam música dos Beatles. 

Jon M. Chu acabou de ser pai e disse ter ficado apaixonado pela relação de pai e filha. “Aprendi a ser pai vendo Hilde e Matty e como os pais de Brooklynn conversam com ela antes de uma cena”, contou. “Por isso, queria que tudo que envolvesse o dia a dia, como o café da manhã da família, ou as conversas entre marido e mulher, fossem bem realistas na série.” 

Para o produtor e diretor, “as crianças estão aqui para nos salvar”. “A Hilde é muito inspiradora porque deixa clara a importância da verdade, do jornalismo, de enfrentar a verdade. Não é fácil, por isso, muita gente não quer saber a verdade. Eu gosto desse assunto e acho importante, mais do que nunca.”

 

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