Ao pé do ouvido

Eles nascem para ser amigos confidentes, mas querem mesmo é fazer a própria história

Alline Dauroiz e Julia Contier, O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2008 | 20h56

Que graça teria se um vilão não tivesse um comparsa para armar todos os planos? Ou se a mocinha não tivesse para quem chorar as pitangas? É assim que, no lugar do pensamento em voz alta ou do monólogo com o espelho, entra em cena o ombro amigo, conhecido nos bastidores como "personagem orelha". Para o autor Gilberto Braga, é praticamente impossível fazer uma história sem atores que apóiem o elenco principal, mas ele rejeita o jargão. "Não suporto o termo orelha. É vulgar, depreciativo. No teatro clássico dizia-se ?confidente?." Braga sempre verifica se todos os personagens têm com quem falar. "O ideal é que cada confidente tenha história própria, mas isso é difícil." Veterana no papel de ouvinte, Viviane Victorette está em sua terceira novela das 9 - todas como confidente. Agora, ela é Nadir, melhor amiga da Maria Paula (Marjorie Estiano) de Duas Caras. A amizade entre elas é tão grande que a personagem topou se mudar para o Rio atrás da amiga. "Quem sabe não arranjo um marido por lá?", justificou a personagem. Nadir ainda não tem história própria, mas o autor Aguinaldo Silva garante que em breve ela se envolverá com Bernardo (Nuno Leal Maia). Em América (2005), Viviane era a Ju, que além de ouvir as lamúrias de Sol (Déborah Secco), dançava em cima do balcão de uma boate em Miami. Mas sua personagem de maior destaque foi Regininha, a melhor amiga de Mel (Débora Falabella), em O Clone (2001). Juntas, elas chegaram ao fundo do poço por causa das drogas. "Até hoje, muita gente só me chama de Regininha", fala a atriz. Viver à sombra dos protagonistas pode parecer frustrante. Mas a projeção que uma novela oferece é tão grande, que quem está na pele de um melhor amigo costuma agarrar a oportunidade. Para Viviane, esses papéis demandam dedicação, já que dali podem surgir convites para outros trabalhos. "Talvez alguns rejeitem o papel ou façam de má vontade, mas o público sente. Eu faço tudo com prazer, nem que seja dizer apenas ?oi? em cena ." Luli Miller, que interpretou Gilda em Paraíso Tropical, é um dos casos de ouvinte que ganhou vida própria - tanto, que a amiga a esqueceu. Ela começou como confidente de Paula (Alessandra Negrini). Depois, ganhou casa, avó e um affair com Gustavo (Marco Ricca). "Adorei começar em uma novela das 9, como amiga da protagonista. Só tenho a agradecer", diz ela. A primeira experiência a levou a uma participação na minissérie Queridos Amigos - Luli é Márcia, mulher de Pedro (Bruno Garcia). E se ela fosse convidada para ser confidente de novo? "Sim, claro!"

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