'Ao Fantástico acho que não volto nunca'

Por que você saiu do Fantástico?Eu pedi para me afastar por dois anos, há oito meses. Há dois anos eu já estava cansada de todo o fim de semana ter a pressão de um programa de duas horas e meia. Durante 35 anos dei o melhor de mim e, de repente, não tinha mais forças. Quais eram as suas insatisfações ?A coisa chegou num ponto muito difícil. Eu trabalho na primeira televisão da América Latina e na quinta do mundo e, nos últimos meses, o Fantástico não tinha figurinista. A mulher do diretor saía comigo para escolher as roupas. Um programa como o Fantástico, sem figurinista e que eu tenha que sair com a mulher do diretor para escolher as roupas é um pouco complicado...Como era a sua rotina?Eu viajava na segunda pra fazer reportagem, voltava na sexta ou sábado, entrava em edição, no sábado gravava as chamadas e, no domingo entrava ao vivo. Quando eu viajava, trazia, no mínimo, três reportagens. Na semana em que eu não viajava, já tinha as reportagens para editar. Era uma rotina muito pesada. Tenho uma casa em Búzios que eu não vou há dez anos, porque não tenho fim de semana há dez anos.O que achou da sua substituta, a Patrícia Poeta?A Patrícia é uma pessoa talentosa e foi a escolha perfeita para o meu lugar. Não vi (o Fantástico com ela), mas tenho certeza de que ela se saiu muito bem. Não teve receio de sair?Nunca tive a sensação de que o Fantástico fosse meu. Quem tinha de tomar a decisão de sair era eu. Eu já tinha dado dez anos da minha vida para aquele programa. Nunca dei dez anos da minha vida para um marido.Sua relação com a Renata Ceribelli é mesmo conturbada?Não é conturbada. Não tem relação. Nunca houve briga, nada. Vocês não se falam?Não. Qual o motivo?Da minha parte não existe motivo. Um dia, ela parou de falar comigo e a gente nunca mais se falou. Faz quanto tempo?Ah, tem muitos anos. Nunca parei para contar. Ela teria inveja de você?Eu era a apresentadora oficial do programa. Eu não poderia ter inveja de ninguém. E não poderia querer o lugar de ninguém, pois já era meu. Você tem que perguntar para ela. Eu estava no meu lugar, durante dez anos. Eu poderia só ter inveja de quem? De Deus, né, coitado! Quais foram seus melhores momentos no Fantástico?Eu ter cruzado a Sibéria com o Paulo Coelho, ter ido para a China, o Deserto do Saara, a Nigéria, cobrir a tomada da embaixada japonesa pelos guerrilheiros peruanos. As entrevistas com a Madonna e o Leonardo di Caprio. É muito difícil dizer uma reportagem preferida. Tudo me fez crescer. Como será a sua vida daqui pra frente? Não quero me preocupar com o futuro. Ao Fantástico, acho que não voltarei nunca.O que ainda falta para você fazer?Tudo! (Risos) Com trinta e cinco anos de carreira você começa a engatinhar. E agora eu estou querendo começar a andar.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.