Luiz Prado|Estadão
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Antes de morrer, Agildo Ribeiro interfonou à portaria pedindo ajuda

Quando funcionários o encontraram, ele já estava sem vida; corpo foi velado neste domingo em cemitério do Rio

Denise Luna, Guilherme Sobota e Roberta Jansen, O Estado de S. Paulo

28 Abril 2018 | 12h07
Atualizado 30 Abril 2018 | 12h18

RIO — Ao passar mal, o humorista Agildo Ribeiro chegou a interfonar à portaria pedindo ajuda, disse um amigo do artista durante o velório que aconteceu na manhã deste domingo, 29, no cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na zona norte do Rio de Janeiro. Ele morreu no sábado, 28, aos 86 anos, em sua casa no Leblon, na zona sul do Rio. O seu corpo foi cremado em cerimônia restrita à família.

O motorista e amigo do humorista, Aécio Estrella, que trabalhava há mais de 40 anos com o ator, falou que esteve com ele até o início da madrugada de sábado e que ele estava bem humorado. Estrella contou, no entanto, que o síndico do prédio em que o artista morava informou que, pela manhã, Agildo Ribeiro chegou a pedir socorro aos funcionários, mas não houve tempo de ajudá-lo. O humorista fizera aniversário na última quinta-feira, 26, quando comemorou com amigos. 

Agildo Ribeiro sofria de problemas cardíacos e estava com uma cirurgia marcada para a próxima quarta-feira, 2. A doença não o impediu de participar recentemente de uma homenagem do programa Tá no Ar, da Rede Globo, sob a pele de um dos seus mais famosos personagens, o professor Aquiles Arquelau — sempre ao lado do seu assistente a quem chamava de “múmia paralítica”, um bordão que virou clássico, e o maior fã declarado da atriz Bruna Lombardi. 

Com pai militar e político, Agildo Ribeiro estudou em colégio militar, onde passou a ser conhecido como “Agildinho” e era a sensação dos colegas pelas suas imitações bem feitas, segundo o Memorial Globo, empresa em que trabalhou praticamente por toda a vida.  Sua carreira, porém, começou no rádio, com tipos que fizeram sucesso e o levaram para o teatro de revista, onde estreou como ator. Sua ida para a Globo se deu na década de 1960, onde passou a estrelar programas de humor, muitos deles  ao lado de Jô Soares.

Entre os principais programas feitos na emissora, se destacam TNT (1965); TVO-TV (1966); Balança Mais não Cai (1968); Mister Show (1969) ; Chico City (1973); Satiricom (1973); Planeta dos Homens (1976); Estúdio A... Gildo (1982); Escolinha do Professor Raimundo (1999); Zorra Total (1999) e o novo Zorra (2015). Inesquecível também para muitas gerações foram os programas que dividiu como ratinho Topo Gigio, em 1969.

O artista participou também de mais de 30 filmes no cinema, e chegou a trabalhar como ator de três novelas da Globo: De Quina pra Lua (1985); A Lua me Disse (2005) e Escrito nas Estrelas (2010). Também participou do Sítio do Pica Pau Amarelo e da série As Cariocas.  Filho do militar e político Agildo Barata, o humorista casou cinco vezes, sendo um desses casamentos com a atriz Marília Pera, morta em 2015. 

Nascido em 26 de abril de 1932 no Rio de Janeiro, Agildo iniciou sua carreira artística no teatro e teve seu talento reconhecido por Paulo Francis. No papel de João Grilo, no Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, seu desempenho foi aclamado. Participou do politizado grupo Opinião, no qual brilhou em várias peças, entre elas O Inspetor Geral, de Gogol. 

A partir dos anos 70, a fama alcançada como apresentador de Topo Giggio, e, mais tarde, o sucesso de tipos como o professor de filosofia, em programas humorísticos, o afastariam dos palcos. Daí em diante só pisaria no teatro com shows nos quais ele seria a estrela. “Não me arrependo de nada do que fiz, mas sim de alguns papéis que recusei”, disse ele ao Estado, em 1997. 

Nas redes sociais, artistas lamentaram a morte. “Humor brasileiro de luto. Agildo Ribeiro se foi. Um dos maiores. Um gênio!”, escreveu Beto Silva.

Em sua conta oficial no Twitter, o apresentador Danilo Gentili disse que havia criado um papel para Ribeiro na série Os Exterminadores do Além. “Entregamos os episódios ontem pra Warner Channel. Chamá-lo seria a próxima etapa. Uma pena que não deu tempo”, escreveu Gentili.

O ator Lúcio Mauro Filho, filho do comediante Lúcio Mauro,  disse "Em vim me despedir do meu tio Agildo". E completou "Era uma pessoa tão próxima, que frequentava tanto a minha casa, que eu tive o privilégio de chamar de tio. Éramos uma grande família." 

A atriz Maria Clara Gueiros foi outra a lamentar a morte do comediante, seu colega no programa Zorra Total. “Ele foi uma referência para mim como comediante. Tenho uma super admiração e respeito pelo trabalho dele”, afirmou. Maria Clara destaca que Agildo sempre teve muito carinho com os novos comediantes e sempre tentava se reinventar na comédia.

O ator Nelson Freitas disse: "perdemos um dos maiores nomes, não só do humor, mas também da televisão e do teatro brasileiro. Ele não se limitava a ser um humorista, ele era um grande ator”.

O humorista e roteirista Claudio Torres Gonzaga declarou "A memória que eu guardo do Agildo é da pessoa que mais me fez rir na vida".

O comediante Marcius Mellhem e o apresentador Leleco Barbosa, filho de Chacrinha, também estiveram no velório. "Ele vai deixar muitas saudades, mas com certeza vai alegrar lá em cima", disse Leleco, acrescentando que Agildo fazia a melhor imitação de Chacrinha. 

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