Arquivo Estadão
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Antes de chegar aos palcos, 'Castelo Rá-Tim-Bum' fez história na TV Cultura

Exibidas no horário noturno, as aventuras de Nino e amigos obrigaram emissoras concorrentes a olhar para público jovem

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2017 | 06h00

A TV Cultura sempre se notabilizou por funcionar como um grande laboratório de ideias, investindo em produtos que, por sua originalidade, não eram, na época, aceitos pelas emissoras comerciais. E Castelo Rá-Tim-Bum foi um de seus maiores (se não o maior) acertos, conquistando uma audiência inédita para uma televisão pública, chegando a atingir a média de 14 pontos.

O programa foi criado pelo dramaturgo Flávio de Souza e o diretor Cao Hamburger, com roteiros assinados por profissionais como Dionísio Jacob, Cláudia Dalla Verde, Bosco Brasil, Marcelo Tas e Anna Muylaert, além dos bonecos criados por um mestre, Jésus Sêda. A estreia aconteceu em 9 de maio de 1994 e ficou no ar até 24 de dezembro de 1997, totalizando 90 episódios e um especial.

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Em um castelo cenográfico que continha toda a arquitetura do mundo – mas cujos traços traziam forte influência do arquiteto catalão Antoni Gaudí, autor do desenho da Igreja da Sagrada Família, em Barcelona –, viviam o jovem feiticeiro Nino (Cássio Scapin), seu tio Victor (Sérgio Mamberti), um feiticeiro e cientista, e sua tia-avó Morgana (Rosi Campos), também feiticeira. No convívio com simples mortais, Nino protagonizava histórias em que as aventuras eram temperadas por lições educativas como a importância de se escovar sempre os dentes.

Ao seu lado, Nino convivia com animais falantes, como a cobra Celeste, e até um extraterrestre, o Etevaldo. Os inimigos eram representados pelo Dr. Abobrinha, um especulador imobiliário que desejava derrubar o Castelo e construir um prédio de cem andares.

Exibido no horário noturno, entre 19h e 19h30, Castelo Rá-Tim-Bum logo faturou uma audiência inédita – cravou 8 pontos em sua estreia, o que, na época, correspondia a cerca de 320 mil domicílios. Em pouco tempo, ultrapassou os 10 pontos, incomodando os rivais que, até então, não viam a emissora pública como potencialmente perigosa. A façanha fez com que os concorrentes reservassem o horário noturno para programas infantis. 

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