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Animação hi-tech une atores e bonecos

Da TV Brasil, a série Igarapé Mágico estreia em janeiro e mira público pré-escolar, nicho de alta demanda no mercado

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2013 | 02h18

Parece animação, mas não é só isso. Série da TV Brasil com estreia prevista para 20 de janeiro, Igarapé Mágico logo denuncia uma profundidade que distancia o plano dos personagens do plano do cenário. E personagens que, estranhamente, não parecem obra de desenho animado. Da produtora brasileira Dogs can Fly, feito sob encomenda pelo canal, Igarapé mira as crianças em idade pré-escolar, nicho de alta demanda no mundo todo. E representa um evidente avanço no conceito que se tem de animação e manipulação de bonecos.

O Estado acompanhou com exclusividade o procedimento de finalização da produção, que parte de seis cenários desenhados à mão, depois modelados e texturizados em 3D. Algas, plantas, folhas e água foram individualmente animadas. Esse mundo passa então a ser habitado por dramaturgia de verdade, encenada por atores que manipulam bonecos e vestem macacões colados ao corpo, com capuz, em cor azul, como o Chroma-key ao fundo. A imagem dos atores é apagada para que só os bonecos sejam então inseridos no cenário animado para abrigar os personagens, a saber: a piranha Cotinha, o pirarucu Bitelo, o peixe-boi Maná, a garça real Pilherodius Pileatos, a perereca Quinha, a sucuri Ceci, o jacaré Jaca Zé e a mítica Iara, ser humano.

Dramatúrgica, a encenação dispensa dublagem. "Fazer o diálogo na hora não limita tanto o ator", diz Hugo Picchi, que dá voz e movimento a Bitel, o filhote de pirarucu. A produção testou vários tecidos até chegar a um modelo que permitisse aos atores ficar encapuzados, sem perder o campo de visão. Os bonecos também foram alvo de longa pesquisa até se chegar ao font látex, material que não restringe movimentos.

Sob encomenda. Nascida na cabeça do diretor de produção da TV Brasil, Rogério Brandão, Igarapé teve seu desenvolvimento confiado a Bia Rosenberg, expert em infantis, com quem Brandão trabalhou na TV Cultura. "Chamei algumas pessoas que eu conhecia desde o Cocoricó", conta Bia. "O Rogério queria um programa que desse orgulho às crianças brasileiras de ter o Amazonas no seu país, um programa com bichos da água, da terra e do ar", diz. Brandão completa: "Queríamos quebrar essa coisa de bichinho sem referência ou de referência à selva africana".

Bia convidou Flávio de Souza - crédito presente em produções como Rá-Tim-Bum, Mundo da Lua e Castelo Rá-Tim-Bum, entre outras - para fazer o roteiro. O contexto ecológico conspira naturalmente a favor da abordagem de temas como sustentabilidade, preservação, lixo, conteúdo regional e conhecimentos sobre o Amazonas. "Passa por esse universo a criança se conhecer melhor e conhecer o outro", conclui Bia.

Diretor do programa, Ricardo Whateley, da Dogs Can Fly, relata que Igarapé mereceu minucioso estudo para a criação de algo diferente do que a TV brasileira já teve. Foi compensado pelas primeiras exibições ao público-alvo, feitas em casa, entre os filhos e amigos deles.

A música, como manda o princípio de produções do gênero, consome um capítulo à parte, com canções feitas especialmente para as cenas, por Tata Fernandes e Wem. Hélio Ziskind, grife do ramo, assina a direção musical da abertura.

Sem modéstia, Rogério Brandão, da TV Brasil, já sonha com um Emmy para o seu Igarapé, produção custeada pela emissora pública, sem verba de lei de incentivo. "Desde o começo, pensamos num produto novo, bem ambicioso, que fosse referência na categoria pré-escolar. Há uma demanda muito grande de produções para esse público no mundo todo."

Brandão não está errado. A procura de distribuidores do mundo todo por produções pré-escolares na última MipCom, feira de TV em Cannes, foi notável. Agora que já tem o caminho das pedras, Brandão quer pleitear no orçamento da TV para 2014 verba para uma 2ª temporada. Até porque Igarapé prevê algum faturamento com a venda de produtos licenciados, de material escolar a aplicativos para dispositivos móveis. O programa é educativo, mas nem por isso pretende se abster de um mercado dominado por Mickeys, Ben 10 e cia.

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