Angela Bassett ataca no cinema e na TV

Atriz de ‘American Horror Story’ fala da série e de seu filme ‘Black Nativity’

Cindy Pearlman, The New York Times

16 de dezembro de 2013 | 22h00

A atriz Angela Bassett, indicada ao Oscar, tem 55 anos e dois filhos, mas isso não a impediu de passar uma manhã pendurada em fios, suspensa no ar, conjurando os demônios para que atacassem um covil de bruxas.

A sequência levou um dia de trabalho no set de American Horror Story, série de sucesso exibida pelo canal Fox, na qual ela desempenha o papel da misteriosa sacerdotisa Marie Laveau. Na história, que já está na terceira temporada, ela entra em confronto não apenas com uma madura feiticeira (Jessica Lange), mas com a zumbi de uma racista morta (Kathy Bates).

“É delicioso”, disse Bassett numa recente entrevista num hotel de Beverly Hills. “O melhor de tudo é a personagem misteriosa que interpreto. Ela era uma mulher negra liberta dos anos 1800”, ela conta, referindo-se à verdadeira Marie Laveau, uma sacerdotisa vodu que viveu no século 19.

Apesar de sua carreira de sucesso no cinema, Bassett que fez seis longas e três séries na TV desde 2011, não hesitou para aceitar o papel na inovadora American Horror Story. “Como atriz, é um papel importante, incrível, baseado numa figura histórica. Além do que, trabalho com atrizes que admiro muito, como Kathy Bates e Jessica Lange”, afirma.

Ultimamente, Bassett tem se desdobrado entre a vida em família com o marido, o ator Courtney B. Vance, seus gêmeos de 7 anos, e uma florescente carreira nas telas. “O fato de ir para Nova Orleans para filmar e voltar para a minha casa é incrível”, afirma. “Eu posso fazer o meu trabalho, e nós nem precisamos mudar de casa.”

“Nova Orleans, onde filmamos, é uma das minhas cidades prediletas”, acrescenta. “Aliás, ela se tornou um personagem na história.” Seus filhos, Slater Josiah e Bronwyn Golden, estão com sete anos, e Bassett admite que não é simples ser mãe e atriz ao mesmo tempo. “É muito difícil”, diz com uma risada. “Sempre faço questão de explicar: ‘Mamãe precisa ir trabalhar. Todos nós temos as nossas tarefas. A de vocês é fazer a lição de casa, a minha é ir para o set de filmagem’.” O maior desafio para ela como mãe, conta, é aprender a dar aos filhos um pouco de autonomia à medida que vão ficando maiores.

O filme do Natal. No ano passado, ela teve de passar algum tempo em Nova York para rodar o filme Black Nativity, que estreou em novembro nos Estados Unidos. O filme conta a história bíblica do Natal, baseada numa peça de Langston Hughes, de 1961.

A versão é um musical sobre um adolescente (Jacob Latimore) de Baltimore, cuja mãe solteira (Jennifer Hudson) está ameaçada de perder a casa por causa de uma execução hipotecária na época do Natal.

Ela manda o menino para Nova York para morar no Harlem com os avós que ele não conhece (Forest Whitaker e Angela Bassett), que há muito tempo rejeitaram a filha depois que ela engravidou de um criminoso.

“Eu sempre fui fã de Langston Hughes”, afirma. “Aos 15 anos, na Flórida, onde me criei, ele era meu poeta favorito. Quando participava de shows de talentos, ele era o autor que escolhia para interpretar.”

Pegava um poema de Langston Hughes e o dramatizava.

“Na realidade, nunca tinha visto Black Nativity”, admite. “Portanto, quando surgiu esta oportunidade, fiquei muito interessada.” Outro motivo que a levou a aceitar o convite foi a mensagem do filme.

“É uma história que fala da família, de reconciliação e de perdão”, conta. “Eu faço o papel da mãe que sofre por ter se afastado da filha.”

O sofrimento é motivo de um profundo rompimento em suas vidas. O casal precisa encontrar apoio recíproco ao sofrer junto pelo afastamento da filha.

“Os pais procuram encarar com um sentimento positivo esta situação dolorosa, mas acabam se convencendo de que as pessoas não precisam conviver com seus erros. O erro pode ser consertado, mesmo que você só consiga dizer ‘Desculpe’ muitos anos mais tarde.” O filme exigiu que ela cantasse, o que foi mais um desafio para Bassett. Ela interpretou Tina Turner em seu filme mais famoso, What’s Love Got to Do with It (1993), mas se limitou a dublar a cantora nas gravações. Este papel foi o mais importante para ela como cantora.

“Confesso que fiquei um pouco nervosa”, admite a atriz. “Tinha de me esforçar ao máximo. Na vida todo mundo precisa superar os próprios medos.”

Bassett nasceu em Nova York, mas cresceu em St. Petersburg, na Flórida, depois que os pais se separaram. Sua mãe era assistente social, e morava com as duas filhas em casas destinadas a pessoas de baixa renda.

“Nunca havia dinheiro para os extras”, conta. “Mas era bom. Nós nos amávamos muito. De certo modo, foi importante precisarmos usar a nossa imaginação, porque nos acostumamos a escrever histórias e a interpretar as nossas peças. Era um ambiente muito criativo.” Excelente aluna, Bassett ganhou uma bolsa de estudos em Yale, New Haven, Connecticut, onde se formou em estudos afro-americanos e ainda dedicou-se às belas artes. Evidentemente, já fazia anos que decidira seguir carreira de atriz.

“Nunca questionei a possibilidade de trabalhar como atriz. Nunca esquecerei a viagem da minha classe quando cursava o ensino secundário.Vi James Earl Jones numa peça no Kennedy Center, e foi definitivo. Era aquilo que eu queria para mim.” Depois de se formar, encontrou rapidamente trabalho na televisão, e estreou na telona como apresentadora em FX (1986). Começou então uma memorável carreira cinematográfica, com trabalhos excelentes em Malcolm X (1992), Falando de Amor (1995), Contato (1997) Música do Coração (1999), e Prova de Fogo (2006), além de interpretar a dra. Cate Banfield em ER (2008-2009). Seu desempenho em What’s Love Got to Do with It proporcionou-lhe uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz. 

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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