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Andreia, a bela 'doutora' das terças na série 'A Cura'

Jovem atriz que foi a Alice na HBO, agora é protagonista na Rede Globo

Patrícia Villalba, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2010 | 06h00

Sentada num bar em Diamantina, em junho, durante as gravações da minissérie A Cura, a atriz Andreia Horta reflete que só pode mesmo estar encerrando um ciclo. Ela estava de volta ao interior de Minas, dez anos após sair de Juiz de Fora, sua cidade natal, para fazer faculdade de artes cênicas em São Paulo, aos 17 anos. Agora, é protagonista na Globo. "O protagonista conta a história o tempo todo, então as pessoas veem mais o seu trabalho. E fazer uma protagonista na Globo é uma vitrine imediata, porque todo mundo vê a Globo", avalia.

 

Rosângela, a médica legista do seriado escrito por João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein, é o segundo papel de Andreia na emissora. O primeiro foi uma pequena participação na minissérie JK (2006), como Márcia Kubitschek. E entre Márcia e Rosângela, houve uma Alice, que fez toda a diferença. Não há como não associar Andreia à protagonista da série Alice (2008), dirigida por Karim Aïnouz e Sérgio Machado para a HBO, e não há como negar que a partir dela as coisas começaram a acontecer. "Alice melhorou o olhar das pessoas sobre o meu trabalho, porque trabalhar com gente boa melhora o olhar das pessoas sobre a gente. Essa é a melhor parte, né?"

 

Antes de interpretar a garota que deixa o noivo em Palmas para se jogar na efervescente vida paulistana em Alice, Andreia esteve na novela Chamas da Vida (2008), da Record. Mas o diretor Ricardo Waddington admite que começou a prestar atenção no trabalho dela a partir da série na HBO. Isso, somado ao fato de a atriz ser mineira foi fundamental para receber o convite para A Cura. "Estava em São Paulo quando ele ligou, disse que era o Ricardo Waddington. Falei ‘ah, tá’. Achei que fosse trote."

 

Andreia participava das filmagens de um especial de Alice, dois episódios de 90 minutos cada um, que a HBO promete exibir até o fim do ano. "Os dois telefilmes estão bem bonitos. A Alice agora está se sentindo adulta, querendo raízes e acha que se casar pode resolver um pouco as angústias. Mas é claro que ela descobre que não é aí, numa coisa pré-estabelecida, que mora a felicidade. Por isso, parte para tentar ser feliz do jeito que dá. A vida, né?", adianta a atriz, que será vista ainda nos longas-metragens Muita Calma Nessa Hora e Faroeste Caboclo, adaptação da música de Renato Russo para as telas. Ambos com estreia próxima. "Foi uma loucura boa reviver Alice... Foi como reencontrar de peito aberto uma grande amiga a quem é preciso olhar com atenção e compreensão."

 

Alice não tem muito da Rosângela de A Cura. O traço em comum é um misto de curiosidade e alegria, coisa que a própria Andreia deixa claro ter. "É, me dão essas mulheres para fazer, né?", diverte-se. A personalidade da médica, de pés bem firmes na terra, é contraponto ao misticismo que cerca o protagonista Dimas (Selton Mello), também médico que descobre ter poder de cura espiritual. "É um paradoxo bonito ela ser o feminino e lidar com a morte e ele ser o masculino e lidar com a cura", explica a atriz.

 

Nos piores momentos, é Rosângela que segura a onda de Dimas, ainda que ela não tenha certeza do que está havendo com ele. "Ela não desacredita, não é radicalmente contra. Pensa ‘será?’ E vai atrás de saber", diz Andreia, que compôs a personagem com um sotaque que guardou por dez anos. A locação, Diamantina, onde passou 25 dias sem computador nem celular, foi fundamental no processo. "Sou esse universo, e estar aqui agora é especial, porque quando estou trabalhando é quando mais existo."

 

Avaliação da série: ótima - Da maneira como encaixou A Cura na programação, a Globo testa o modelo de séries americanas apresentadas semana a semana, em episódios dependentes. Antes de a série estrear, a dúvida era se o telespectador se sentiria apegado à história ao ponto de segui-la durante nove semanas. A resposta é sim, já que o Ibope registrou uma queda de cinco pontos entre o primeiro e o segundo episódio - de 20 para 15 pontos.

Não é tão grave, se levarmos em conta o horário eleitoral, que empurra a programação para mais tarde, e o comportamento de séries americanas desse tipo, cuja tendência é a audiência cair um pouco. Por outro lado, não há como negar que a minissérie de João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein, produto impecável, merecia ser apresentada numa tacada só, para mais gente ver. Não sou só eu que acho, mas muitos leitores que se manifestaram sobre o assunto no blog do TV no Portal do Estadão e na internet por aí.

 

Dá uma certa tristeza quando o capítulo termina, e você pensa "agora, só semana que vem". Durante o capítulo, o sentimento é o mesmo, de um bloco para o outro e nos cortes que alternam a história contemporânea, do médico Dimas (Selton Mello) e a do século 18, de Silvério (Carmo Dalla Vecchia), que criam suspense o tempo inteiro. O barroco de Diamantina é ideal para compor o clima. E a cidade é aproveitada nos mínimos detalhes por Ricardo Waddington e, rodada no mais moderno HD, vira personagem.

 

Entre os pontos positivos do seriado que tem tantos destaques, a atuação de Selton Mello, já é quase um clichê dizer, é excelente, e a experiência como diretor parece ter feito dele um ator melhor. No set, ele disse, inclusive, que gostaria de dirigir um episódio do seriado, quem sabe, numa segunda temporada. É uma boa desculpa para ter bis no ano que vem.

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