HBO
HBO

Análise: 'Westworld' usa as teorias a seu favor e rompe com o conceito de humanidade

Segunda temporada da série da HBO volta às telas neste domingo, 22, às 22h

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2018 | 06h01

Escolhida para ser a substituta de Game of Thrones no horário mais nobre do canal pago HBO – nas noites de domingo –, Westworld encontrou um nicho para chamar de seu. Compartilha, é claro, parte da audiência que costuma sintonizar na emissora para assistir aos últimos desdobramentos da guerra dos tronos, agora mais próxima do fim – a oitava e última temporada, aliás, só estreia em 2019.

Em contrapartida, o seriado baseado levemente no filme de ficção científica de mesmo nome dirigida por Michael Crichton, de 1973, também encontrou uma linguagem própria. O visual western atrai, a princípio, os consumidores desse tipo de cinema que se passa no período de tempo de desbravamento do oeste do território estadunidense no século 19. Mas a referência para por aí.

Westworld é ficção pura, que se derrama em questões filosóficas a partir do mais básico conceito da literatura de Philip K. Dick e seu livro clássico Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? – base para o filmaço Blade Runner, de Ridley Scott. Robôs sonham? Robôs com consciência sabem que são máquinas? Robôs se lembram?

Westworld é um gigantesco parque de diversões habitado por robôs tão humanoides quanto eu e você que oferecem, aos humanos de verdade, as aventuras que se vê nos filmes de caubóis, como caça ao tesouro, capturar foragidos, beber em bordéis, etc. Ali dentro, a humanidade pode se mostrar menos humana – não são pessoas que sangram ali e, sim, os robôs.

A partir da revelação de que um personagem que parecia ser um de nós, na verdade, é um robô que sonha e tem memórias de um passado que nunca viveu, o jogo vira. Dentro do parque, percebe-se como o conceito do que é humano é uma linha fácil de romper. Pessoas agem como animais, robôs se comportam como humanos. 

Tudo isso, contudo, é conceitual e cabeçudo demais. Se Westworld fosse só filosofia, não estaria em uma emissora de entretenimento, afinal. A série deixa o seu discurso complexo no subtexto e se constrói a partir de uma narrativa “Lostiana” (inspirada na série Lost) na qual as verdades não são entregues de mão beijada; chegam em doses homeopáticas.

Cabe ao espectador montar na sua cachola o que está, de fato, ocorrendo no parque. Duas linhas temporais são formadas – de forma sutil – e são o combustível para abastecer um público sedento para compartilhar suas suposições na internet. Westworld cresce no boca a boca. E, esse sim, é seu público. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.