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Análise: 'Westworld' precisa tomar cuidado, o excesso de teorias já fez outras vítimas

As teorias, por mais deliciosas, e outras amalucadas, constroem uma nova narrativa diferente daquela que se vê na TV

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2016 | 04h00

É bom deixar avisado antes de qualquer coisa: o texto a seguir discute as revelações do sétimo episódio de Westworld, exibido no domingo passado, 13. Ou seja: está cheio de spoilers se você não estiver em dia com a série da HBO. 

Foi no sétimo episódio que uma das mais inquietantes teorias a consumir aqueles que assistiam ao seriado enfim se confirmou. Bernard Lowe, o personagem de Jeffrey Wright, também é um robô. Em vez de viver no parque, como todos (todos, mesmo?) os outros, os chamados hospedeiros, Bernard estava entre nós, humanos. Para quem já estava familiarizado com algumas das suposições criadas por fãs, contudo, a surpresa foi assim tão impactante? Não. 

Há de se louvar a virada que a revelação coloca na trama, faltando apenas três episódios para o fim da primeira temporada. Muda-se tudo a partir do momento em que alguém considerado humano é tão sintético quanto personagens como Hector (Rodrigo Santoro) e Maeve (Thandie Newton). A teoria confirmada, por sua vez, transforma-se em um spoiler inconsciente. A experiência completa foi alterada – para melhor ou pior, neste caso, provavelmente pende para o lado negativo. 

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As teorias, por mais deliciosas, e outras amalucadas, constroem uma nova narrativa diferente daquela que se vê na TV. Busca-se por indícios que comprovem aquilo que a cabeça já sabe, mas busca confirmar. Deixa-se de se prestar atenção em algo que realmente importa. Há uma imersão distinta, com questionamentos que funcionam como um filtro. 

A produção televisiva já sofreu de males como esse. Fãs de Lost até agora remoem grande parte das teorias criadas no decorrer dos anos de exibição do seriado de J.J. Abrams. Westworld ainda não corre esse risco, é o começo da caminhada, afinal, mas não custa ligar o sinal amarelo.

 

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