Acervo Globo
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Análise: Ruth de Souza conseguiu se impor com talento e persistência

Atriz conseguiu sedimentar entre os próprios colegas mais consciência de seu valor

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2019 | 21h29

Ruth de Souza, que morreu neste domingo, 28, aos 98 anos, foi um exemplo notável de persistência – em seus mais de 70 anos de carreira, deixou marca fundamental em filmes e novelas, mas será lembrada principalmente por papéis de mulheres que precisaram romper barreiras para conquistar um espaço digno. 

Foi assim em um de seus primeiros filmes, Sinhá Moça, de Tom Payne, realizado em 1953. Ruth brilha como a escrava que redime, com sua grandeza e humanidade, a raça negra de seu sofrimento. Uma interpretação tão poderosa que, reza lenda, ela por pouco não ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza daquele ano, perdendo para Lili Palmer.

Em sua luta pela afirmação do ator negro, Ruth não apenas usou da inteligência, mas principalmente de seu talento como intérprete. Para isso, basta lembrar de sua atuação, em 1959, no palco em Oração para uma Negra, de William Faulkner. Ou ainda a dramatização do texto da favelada Carolina Maria de Jesus, Quarto de Despejo, em 1961, que inspirou um especial na Globo, raro exemplo em que a TV proporcionou um grande papel a uma atriz negra. Com isso, conseguiu sedimentar entre os próprios colegas mais consciência de seu valor.

 

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