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Análise: 'Que História É Essa, Porchat?' é hoje um dos melhores programas da TV

Sem um apresentador com a inteligência, a agilidade de pensamento e o carisma de Porchat, o programa não teria o mesmo resultado

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2020 | 06h00

Fábio Porchat comanda atualmente um dos melhores programas da TV brasileira. Que História É Essa, Porchat?, exibido pela GNT, desconstrói o tradicional formato do talk-show – que o próprio Porchat já experimentou na Record, com seu Programa do Porchat – e tira de seus convidados os relatos mais saborosos, imprevisíveis, improváveis. São histórias pelas quais eles passaram em algum momento de suas vidas. No entanto, o mérito não está só na escolha dos entrevistados. Sem um apresentador com a inteligência, a agilidade de pensamento e o carisma de Porchat, o programa não teria o mesmo resultado. E Porchat se diverte junto com seus convidados. Assim, há uma comunhão de elementos que faz com que tudo dê certo, na medida certa. 

Que História É Essa, Porchat? não conta com uma grande estrutura. E nem precisa. O programa dispensa superprodução e se concentra nas pessoas. A cada programa, o humorista recebe três entrevistados famosos, para que eles relembrem histórias inusitadas que nunca tenham contado em público antes. Há também a participação de pessoas que estão em seu pequeno auditório e que têm histórias igualmente deliciosas – não se sabe, no entanto, se o programa continuará a contar com plateia, por causa do coronavírus. E aí está a grande sacada do programa: Porchat tem um rico material em mãos, e sabe usá-lo a favor da atração.

E da mesma forma informal e divertida com que o humorista conduz Que História É Essa, Porchat?, ele apresenta Papo de Segunda, também no GNT, ao lado de Emicida, Chico Bosco e João Vicente de Castro. O tom do programa ali, claro, é outro. Espécie de Saia Justa ciceroneada por homens, Papo de Segunda traz para o debate temas da atualidade, mas há espaço para os momentos de humor, a cargo de Porchat. Ele e João Vicente estão também no elenco do Porta dos Fundos, bem-sucedido projeto de humor, em que Porchat atua – e pode aumentar o nível do escracho.

De volta ao Que História É Essa, Porchat?, é possível fazer um paralelo entre o programa e Lady Night, apresentado por Tatá Werneck, no Multishow. Quando Lady Night estreou, em 2017, injetou frescor no formato de talk-show, fazendo com que o programa entrasse também na lista de melhores da TV. Tatá e Porchat, dois humoristas reinventando a roda. Seriam eles os Jimmy Fallons do Brasil? E assim como Lady Night, Que História É Essa, Porchat? deveria fazer o caminho da TV fechada para a aberta, e estrear na Globo, para alcançar um número maior de público. O programa merece.

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